Entre os principais destaques, a professora assistente Sophie Toupin, da Universidade Laval, no Quebec, liderou um workshop que abordou práticas de resistência digital. Em sua apresentação, Toupin destacou a importância de se opor a tendências prejudiciais, como o tecnofascismo, a comercialização da internet e as condições precárias enfrentadas por trabalhadores de plataformas de tecnologia. Ela enfatizou, por exemplo, a importância de levantar a voz contra o uso militar e colonial de mega data centers, além de criticar o vigilantismo digital que tem se tornado comum.
Uma inovação proposta por Toupin, que mereceu atenção especial, foi a iniciativa de ativistas que enviaram cartões aos palestinos em Gaza para ajudar na comunicação com familiares. “Ativistas precisam pensar em formas originais de oferecer apoio”, disse ela, ressaltando a necessidade de uma solidariedade inovadora em tempos difíceis.
Por outro lado, a pesquisadora também mencionou um fenômeno que afeta a cobertura jornalística sobre a situação em Gaza: o “shadow banning”. Esse processo limita a visibilidade de conteúdos sem avisar os usuários, tornando quase impossível para jornalistas transmitir ao vivo os acontecimentos, o que, segundo Toupin, é crucial para informar o mundo sobre a situação de conflito.
Em meio a essas discussões, a resistência digital já se consolidou em lugares como o Kalunga, o maior território quilombola do Brasil. TC Silva, músico e ativista, relatou que a comunidade conseguiu implantar um data center que requer tecnologia avançada, incluindo energia solar e antenas de longo alcance. “Acesso à internet é vital, mas também precisamos assegurar que as iniciativas venham das comunidades”, enfatizou Silva, criticando o modelo tradicional de editais que muitas vezes exclui vozes locais.
No evento, a indígena p’urhépecha Yunuen Torres Ascencio, que atua em Cherán, no México, trouxe à discussão o protagonismo feminino em sua comunidade e a necessidade de uma abordagem comunitária em relação à tecnologia: “A tecnologia deve refletir o que a comunidade pensa.”
Por fim, Maraiza Adami, uma das organizadoras da CryptoRave, abordou a desconstrução de mitos sobre a inteligência artificial. Em suas palavras, a ideia de que a IA substituirá a criatividade humana e provocará uma crise de emprego é um discurso que ignora a complexidade das relações sociais e tecnológicas. Adami argumentou que a narrativa de que a IA dominará tudo é um exemplo de como o Vale do Silício e a mídia frequentemente superestimam o impacto da tecnologia.
Assim, a CryptoRave não apenas se estabeleceu como um espaço de diálogo crucial sobre privacidade e resistência digital, mas também como um ponto de convergência entre diferentes comunidades em busca de um futuro mais justo e conectado.




