O panorama geral é igualmente preocupante: ao longo do ano de 2025, 159.041 mulheres sofreram alguma forma de violência, resultando em aproximadamente 18 vítimas a cada hora. Prevalece entre os relatos um perfil que destaca as mulheres negras, solteiras e jovens, com idades variando entre 18 e 29 anos. Esses dados indicam um contexto em que a violência não se limita às agressões físicas, mas se estende ao ambiente virtual, onde discursos de ódio e práticas misóginas florescem.
A análise do dossiê também inclui uma investigação sobre a disseminação do movimento conhecido como “redpill”, que reúne grupos de homens que se opõem ao feminismo e defendem a ideia de que os homens devem reverter o avanço das mulheres na sociedade, mantendo-as em uma posição submissa. Essa retórica tem encontrado um terreno fértil nas redes sociais, que se tornaram locais para a propagação de ideais machistas, mesmo diante dos esforços para combater esse tipo de violência.
Além disso, a violência física continua a ser uma das formas mais recorrentes de agressão, com 43.307 mulheres afetadas em 2025. A lesão corporal dolosa, a mais comum nesse contexto, tem seus autores, na maioria das vezes, associados a companheiros ou ex-companheiros das vítimas. O feminicídio também é uma dura realidade: 105 mulheres foram assassinadas, muitas em suas próprias casas, com a maioria dos casos registrados como motivados por ciúmes ou separações.
Diante desse cenário, a sociedade é chamada a refletir sobre a necessidade de ações efetivas que combatam a misoginia e protejam as mulheres de todas as formas de violência. O recente projeto de lei aprovado pelo Senado, que visa criminalizar a misoginia, é um passo importante nessa direção, mas a luta se vê diariamente desafiada por um discurso de ódio que se fortalece no mundo digital.





