O estudo utiliza dados do Cadastro Único de Programas Sociais (CadÚnico), que serve como referência para identificar as populações em vulnerabilidade e direcionar os recursos governamentais. Essa situação se agravou após a interrupção da diminuição observada entre 2020 e 2021, quando a pandemia de covid-19 fez o número de pessoas em situação de rua cair temporariamente. Desde 2022, no entanto, a tendência é de crescimento contínuo.
A Região Sudeste é a mais afetada, com 222.311 pessoas vivendo nas ruas, representando 61% do total nacional. Estado de São Paulo concentra a maior parte dessa população, com 150.958 indivíduos, seguido por Rio de Janeiro e Minas Gerais. Em contraste, o Amapá é o estado com o menor número de pessoas nessa condição, com apenas 292.
Os pesquisadores apontam várias razões para esse aumento, incluindo a consolidação do CadÚnico, a insuficiência de políticas públicas direcionadas à moradia, trabalho e educação, além da precarização das condições de vida. Emergências climáticas e deslocamentos forçados na América Latina também são citados como fatores agravantes.
Robson César Correia de Mendonça, do Movimento Estadual da População em Situação de Rua de São Paulo, ressalta que, apesar de algumas políticas de combate à fome terem apresentado resultados positivos, a insegurança alimentar continua sendo um problema crítico. Ele enfatiza que muitos enfrentam a difícil escolha entre pagar contas, custo de medicamentos e alimentação. Em sua visão, a solução para essa questão passa por uma abordagem mais humana e estruturada, que respeite a dignidade das pessoas em situação de rua.
A Secretaria de Desenvolvimento Social do estado de São Paulo informa que está empenhada em integrar esforços com os municípios para enfrentar essa problemática. Desde o início da atual gestão, foram destinados R$ 633 milhões para iniciativas que visam reduzir a população em situação de rua, com um aporte significativo voltado a essa questão específica.
Enquanto essas iniciativas são implementadas, a situação permanece crítica, e a resposta do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania sobre essas estatísticas ainda é aguardada. O clamor por uma abordagem mais eficaz e humanizada permanece urgente.







