O drama de Vladmir começou quando ele tinha apenas 9 anos de idade, em 1964, quando policiais invadiram sua casa e levaram seu pai, o sargento reformado Antônio Horlandino de Araújo. Seu pai foi indiciado, julgado pela Justiça Militar e passou dois anos preso, sofrendo inúmeras consequências pessoais e familiares.
A relatora do caso, conselheira Vanda Davi Fernandes de Oliveira, ressaltou que a perseguição ao pai de Vladmir estava claramente configurada. Com base nas evidências apresentadas pela família, e levando em consideração o reconhecimento da anistia política concedida a Horlandino em 2009, a comissão decidiu também anistiar Vladmir, pedindo oficialmente desculpas e concedendo uma indenização equivalente a 90 salários mínimos, totalizando cerca de R$ 127 mil.
Além do caso de Vladmir, a comissão também concedeu, de forma unânime, anistia política e um pedido de desculpas ao jornalista e poeta Luiz Artur Toribio, conhecido como Luis Turiba. Turiba foi perseguido por razões políticas entre os anos de 1970 e 1987, sendo impedido de concluir seus estudos, preso e torturado nas instalações do Doi-Codi, órgão de repressão do Exército.
Em uma sessão carregada de emoção, Turiba agradeceu a decisão da comissão, declarando que se sentia finalmente justiçado. O poeta leu um de seus poemas inspirados em sua trágica experiência, simbolizando a dor compartilhada por milhares de outros brasileiros que passaram por situações similares.
A comissão negou oito pedidos de anistia durante a reunião e continua deliberando sobre novos casos nesta quinta-feira, em Brasília. O reconhecimento e reparação a vítimas do regime autoritário são passos importantes para a justiça e a memória histórica do país.





