Em seu discurso, a CNBB pontua que a democracia brasileira atravessa um período de “profundas tensões e retrocessos sociais”, o que tem resultado em erosão da confiança nas instituições. Em um tom de alerta, a mensagem ressalta que a convivência democrática foi prejudicada por interesses econômicos e disputas de poder, levando à fragilização de mecanismos de controle essenciais para a manutenção de uma sociedade justa e equitativa.
Os bispos destacam uma série de preocupações, incluindo a perda de dignidade de algumas autoridades, particularmente entre os membros do Congresso Nacional, o aumento da corrupção e a flexibilização de marcos legais importantes, como a Lei da Ficha Limpa. Outros pontos criticados incluem ameaças à proteção ambiental e aos direitos dos povos tradicionais, além de um discurso de ódio crescente que propaga violência, especialmente contra mulheres.
Apesar das críticas, a CNBB também reconhece avanços. No campo social, celebra o fortalecimento do Sistema Único de Saúde (SUS) e uma redução na taxa de desemprego, junto à estabilização da inflação e crescimento do Produto Interno Bruto (PIB). A entidade destaca ainda o protagonismo do Brasil no cenário internacional, evidenciado pela realização da COP30 em Belém, que reafirma o compromisso do país com questões ambientais.
A mensagem ressalta a importância de valores cristãos, afirmando a defesa da vida em todas as suas etapas e a necessidade de se lutar contra a fome e a desigualdade. O documento conclui com um apelo à esperança, evocando o sonho de dom Helder Câmara e a famosa linha da poesia de Thiago de Mello: “Faz escuro, mas eu canto, porque a manhã vai chegar”.
Criada em 1952, a CNBB não apenas coordena a ação pastoral da Igreja Católica, mas também desempenha um papel crucial em debates sobre justiça social, ética e direitos humanos, especialmente durante suas campanhas anuais de fraternidade.
