Entre as principais organizações envolvidas estão a Coletiva da Visibilidade Lésbica SP, a Rede LésBi Brasil e a Rede Nacional Candaces, além de outras associações dedicadas à defesa dos direitos dessas mulheres. A marcha deste ano carrega um peso especial, marcando uma década desde o brutal assassinato de Luana Barbosa dos Reis, uma jovem negra, lésbica e periférica, cuja morte se tornou um símbolo da violência policial e da lesbofobia no país. Luana foi espancada até a morte por policiais em Ribeirão Preto, São Paulo, após recusar uma revista invasiva, um direito garantido pela lei, mas que foi desrespeitado.
Em decorrência desse acontecimento trágico, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania instituiu uma premiação em sua memória, destinada a iniciativas que combatem a lesbofobia e promovem direitos para mulheres homossexuais. Em um discurso emocionado, a irmã de Luana, Roseli dos Reis, clamou por justiça, ressaltando a dor persistente da família, que ainda busca respostas após todos esses anos.
Durante a concentração, realizada em frente ao Museu de Arte de São Paulo (Masp), lideranças ressaltaram como a ascensão da ultradireita no Brasil tem intensificado as perseguições e a discriminação contra essas mulheres, que desafiam o padrão heteronormativo da sociedade. A lista de agressões contra mulheres lésbicas e bissexuais é extensa e varia desde formas de discriminação em espaços públicos até a invisibilidade de seus relacionamentos.
Além disso, a desinformação nos serviços de saúde em relação a pacientes bissexuais e lésbicas é alarmante, contribuindo para a perpetuação do preconceito. Muitas mulheres, como a fotógrafa e modelo Helena Silva, enfrentam desafios significativos em suas vidas pessoais, incluindo a dificuldade de falar abertamente sobre suas orientações sexuais dentro de suas famílias e a necessidade de buscar informações essenciais sobre saúde de maneira independente.
A vivência de Helena exemplifica a luta diária de muitas mulheres que não se encaixam na heteronormatividade e que, historicamente, têm enfrentado invisibilidade e estigmatização. Essas histórias, que se entrelaçam com a luta coletiva, revelam a urgência de olhos atentos para as questões de gênero e raça, reforçando a necessidade de um ambiente social mais acolhedor e respeitoso.
Assim, a Caminhada de Mulheres Lésbicas e Bissexuais de São Paulo não se limita a ser um ato de protesto, mas se transforma em uma poderosa afirmação de identidade, resistência e esperança por um futuro mais justo e igualitário.





