DIREITOS HUMANOS – Ave Sangria Recebe Indenização do Estado Após Censura pela Ditadura Militar; Banda Retoma Legado Cultural e Busca Justiça pela Liberdade de Expressão.

Nesta quinta-feira, 26 de outubro, a Comissão de Anistia do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania anunciou uma decisão emblemática: o grupo musical pernambucano Ave Sangria, que enfrentou a censura da ditadura militar em 1974, receberá uma indenização vitalícia pelo Estado brasileiro. A compensação mensal será de R$ 2.000, retroativa à data do protocolo do processo.

A história da Ave Sangria é marcada pela resistência e pela luta pela liberdade de expressão. Nos anos 70, a banda se destacou na cena psicodélica de Pernambuco e viu sua trajetória interrompida quando a música “Seu Waldir”, que falava sobre o amor entre homens, foi considerada subversiva. A letra provocou a ira dos militares, resultando no recolhimento de todos os discos do grupo e no cancelamento de seu segundo álbum. Esse evento teve um impacto profundo, levando ao fim da banda, que só retornou à ativa nos anos 2010.

De acordo com Manoel Moraes, conselheiro da Comissão de Anistia, foram reunidas provas contundentes que demonstraram as perseguições sofridas pelos integrantes do grupo. Embora considere a indenização um passo importante, Moraes enfatiza que os danos causados pela repressão não podem ser totalmente reparados. “A interrupção da carreira deles é um dano irreparável. O que estamos fazendo aqui é um reconhecimento público e um pedido de desculpas pelos atos de exceção que foram praticados contra os integrantes e a cultura popular”, ressaltou.

Marco Polo, vocalista e compositor da banda, expressou emoção e alívio com a decisão. Ele reconheceu que, embora os traumas do passado ainda estejam presentes, a reparação financeira é um reconhecimento significativo. “Não temos mais a juventude de volta, nem o dinheiro que poderíamos ter ganhado, mas é bom saber que temos algum tipo de remuneração econômica”, afirmou.

Recentemente, a banda lançou um novo álbum, 45 anos após seu primeiro disco, reunindo membros da formação original. Almir de Oliveira, outro integrante, falou sobre a sensação de justiça, ressaltando a importância do reconhecimento dos danos causados e da necessidade de preservar a democracia no Brasil. Para ele, a reparação financeira é relevante, mas a verdadeira conquista reside no reconhecimento da injustiça sofrida.

Em 2023, a Ave Sangria foi homenageada, sendo declarada Patrimônio Cultural Imaterial do Recife, um testemunho de sua relevância para a cultura musical do Brasil. Essa nova etapa da história da banda não só celebra seu legado artístico, mas também marca uma vitória emblemática contra a repressão e a censura.

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