Apesar de um total de 27.730 ocorrências em 2019, ano da implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, a quantidade de casos de 2025 permanece quase 14% menor. Contudo, os números começam a mostrar uma trajetória de crescimento gradual desde 2023, quando 20.445 denúncias foram feitas.
Vale ressaltar que, embora os homens representem 64% do total de desaparecidos, entre menores de idade, as meninas são as mais afetadas, totalizando 62% das ocorrências. Desde 2019, a legislação brasileira considera desaparecido qualquer ser humano cujo paradeiro se torne desconhecido, independentemente da causa, até que sua localização seja confirmada.
A complexidade do fenômeno dos desaparecimentos exige a diferenciação de suas causas. Especialistas sugerem classificá-los em três categorias: desaparecimento voluntário, involuntário (sem uso de violência) e forçado. Uma quarta categoria, chamada “desaparecimento estratégico”, pode ser aplicada a pessoas que escolhem desaparecer para escapar de situações adversas, como mulheres que fogem de relacionamentos abusivos ou crianças em contextos de maus-tratos.
Um estudo mostra que a maioria dos desaparecimentos ocorre entre sexta-feira e domingo. Um exemplo recente é o caso de um menino de 10 anos que desapareceu em Curitiba, mantido longe de casa por temores de punição após ter se afastado para brincar. Sua história ilustra não apenas o drama e a angústia dos familiares, mas também a forma como a sociedade muitas vezes responde com críticas antes de oferecer apoio.
O pai do menino, Leandro Barboza, expressa a dor de dias de incerteza e procura, ressaltando que o sofrimento emocional é profundo e particular a quem passa por essa situação. Ele relata a sensação angustiante de imaginar o pior cenário, evidenciando que críticas em redes sociais podem piorar a situação de famílias que já enfrentam desafios imensos.
Leandro ressalta que seria benéfico que famílias envolvidas em casos de desaparecimentos recebessem assistência profissional, como a de psicólogos, para ajudar na comunicação e compreensão dos problemas enfrentados por crianças e pais. Ele, que divide sua atenção com outros filhos, reforça a importância do cuidado familiar, mesmo em cenários de crise.
