DIREITOS HUMANOS – Aumenta alarmantemente o número de desaparecimentos de crianças e adolescentes no Brasil; em 2025, 28% dos casos envolveram jovens abaixo de 18 anos.

Em 2025, o Brasil enfrentou um alarmante aumento nos casos de desaparecimentos, com 30% desses registros envolvendo crianças e adolescentes. Dados recentes indicam que, em um total de 84.760 ocorrências, 23.919 foram de indivíduos com menos de 18 anos. Essa estatística revela uma média preocupante de 66 boletins diários de desaparecimento dessa faixa etária, representando um crescimento de 8% em comparação ao ano anterior, quando 22.092 casos foram reportados. Este aumento em casos de desaparecimentos infantojuvenis foi maior que os 4% registrado nas ocorrências gerais, que subiram de 81.406 para 84.760 no mesmo período.

Apesar de um total de 27.730 ocorrências em 2019, ano da implementação da Política Nacional de Busca de Pessoas Desaparecidas, a quantidade de casos de 2025 permanece quase 14% menor. Contudo, os números começam a mostrar uma trajetória de crescimento gradual desde 2023, quando 20.445 denúncias foram feitas.

Vale ressaltar que, embora os homens representem 64% do total de desaparecidos, entre menores de idade, as meninas são as mais afetadas, totalizando 62% das ocorrências. Desde 2019, a legislação brasileira considera desaparecido qualquer ser humano cujo paradeiro se torne desconhecido, independentemente da causa, até que sua localização seja confirmada.

A complexidade do fenômeno dos desaparecimentos exige a diferenciação de suas causas. Especialistas sugerem classificá-los em três categorias: desaparecimento voluntário, involuntário (sem uso de violência) e forçado. Uma quarta categoria, chamada “desaparecimento estratégico”, pode ser aplicada a pessoas que escolhem desaparecer para escapar de situações adversas, como mulheres que fogem de relacionamentos abusivos ou crianças em contextos de maus-tratos.

Um estudo mostra que a maioria dos desaparecimentos ocorre entre sexta-feira e domingo. Um exemplo recente é o caso de um menino de 10 anos que desapareceu em Curitiba, mantido longe de casa por temores de punição após ter se afastado para brincar. Sua história ilustra não apenas o drama e a angústia dos familiares, mas também a forma como a sociedade muitas vezes responde com críticas antes de oferecer apoio.

O pai do menino, Leandro Barboza, expressa a dor de dias de incerteza e procura, ressaltando que o sofrimento emocional é profundo e particular a quem passa por essa situação. Ele relata a sensação angustiante de imaginar o pior cenário, evidenciando que críticas em redes sociais podem piorar a situação de famílias que já enfrentam desafios imensos.

Leandro ressalta que seria benéfico que famílias envolvidas em casos de desaparecimentos recebessem assistência profissional, como a de psicólogos, para ajudar na comunicação e compreensão dos problemas enfrentados por crianças e pais. Ele, que divide sua atenção com outros filhos, reforça a importância do cuidado familiar, mesmo em cenários de crise.

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