Conforme relatos de apoiadores e testemunhas, Ávila teve sua entrada no país negada sob alegações relacionadas ao seu passaporte. Ele planejava participar de eventos e debates promovidos pela Global Sumud Flotilla, uma iniciativa que reúne diversos movimentos da sociedade civil com o intuito de oferecer apoio internacional às comunidades afetadas por violações de direitos humanos na Faixa de Gaza.
Assim que desembarcaram, Thiago e sua família foram abordados pela polícia aeroportuária. Enquanto a esposa e a filha foram liberadas, o ativista foi separado delas e levado para uma delegacia, onde foi confrontado com informações sobre sua reputação. Relatos indicam que policiais lhe informaram que estavam cientes de sua identidade e que ele não seria bem-vindo na Argentina. A ordem de deportação teria vindo de uma instância alta do governo argentino.
Até o momento, nenhuma declaração oficial foi emitida por autoridades do país sobre a detenção de Ávila. A situação se complica ainda mais sob o contexto político do país, uma vez que o presidente Javier Milei, conhecido por seu apoio à Israel e suas relações próximas com o governo dos Estados Unidos, parece refletir uma postura de abertura à repressão de ativistas pró-Palestina.
Após uma breve negociação, Ávila conseguiu ser transferido para o Aeroporto de Ezeiza, onde se preparou para seguir sua viagem já agendada rumo a Barcelona. Esta não é a primeira vez que o ativista se vê em dificuldades; no ano anterior, ele e outros ativistas, incluindo brasileiros, foram capturados por forças israelenses durante uma tentativa de chegar à Gaza por via marítima para entregar suprimentos humanitários.
A detenção de Thiago Ávila levanta questões sobre a liberdade de expressão e a repressão a vozes críticas em um cenário internacional já marcado pela tensão em relação ao conflito palestino e israelense. A repercussão desse incidente ainda deve gerar discussões acaloradas sobre os direitos humanos e o ativismo político na América Latina e além.





