Embora tenha havido uma redução em relação ao ano anterior, os números ainda são inquietantes, especialmente quando se considera que as denúncias aumentaram em 149% em comparação a 2022, quando foram reportados apenas 397 casos. Essa escalada, embora não tenha se intensificado em termos de volume, demonstra uma permanência do antissemitismo que, segundo especialistas, pode ser ainda mais preocupante. A análise do relatório menciona que, desde o ataque do Hamas ao sul de Israel, em outubro de 2023, o clima de animosidade antijudaica se estabeleceu e não apresentou sinais de retrocesso.
O estudo também revela que a maior parte das denúncias registradas, cerca de 800 casos, ocorreu em plataformas digitais, mostrando a transição do ódio para ambientes virtuais. O Instagram foi a rede social que mais concentrou esses dados, representando 37,1% das denúncias, seguido pelo Twitter/X e Facebook, que somaram ainda um número significativo de ocorrências. Além disso, uma análise realizada com o auxílio de inteligência artificial identificou 115.970 manifestações antissemitas na internet, atingindo um público potencial de 66 milhões de pessoas, o que equivale a mais de um terço da população adulta do Brasil.
O relatório enfatiza que as implicações do antissemitismo vão além da comunidade judaica. Historicamente, este tipo de intolerância antecipa situações que comprometem a democracia, gerando um ambiente propício para a violência simbólica e o enfraquecimento do Estado de direito. Em suma, onde o antissemitismo se alicerça, outras formas de autoritarismo e intolerância costumam emergir, revelando uma crise que merece a atenção de toda a sociedade.






