Esse problema é especialmente crítico entre as mulheres jovens, na faixa etária de 15 a 29 anos, que enfrentam um crescimento de 44,4% em casos de ameaças e lesões nos dias de jogos. A pesquisa abrangeu uma análise das ocorrências em cinco capitais brasileiras – São Paulo, Rio de Janeiro, Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre – e relacionou esses dados com os resultados de jogos da série A do Campeonato Brasileiro, da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana, para o período de 2023 a 2025.
Juliana Brandão, coordenadora de Gênero e Raça do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, destacou que os dias de jogo se tornaram fatores de risco comprovados para a violência e ressaltou a importância de utilizar este conhecimento para otimizar o planejamento das forças de segurança. Ela sugere que as unidades especializadas, como as Delegacias da Mulher, devem intensificar suas atividades durante esses períodos críticos e que os clubes de futebol têm um papel fundamental nesse enfrentamento.
Brandão argumenta que as instituições esportivas não são apenas protagonistas no entretenimento, mas também detêm a influência necessária para moldar comportamentos e valores sociais. Durante eventos de alta rivalidade, os clubes podem e devem assumir a responsabilidade de se tornar agentes de mudança, incentivando seus atletas e torcidas a dissociar a paixão pelo futebol da violência contra as mulheres.
Vale lembrar que este levantamento segue a mesma metodologia de um estudo anterior, que analisou dados entre 2015 e 2018, onde as ameaças aumentaram em 23,7% e as lesões corporais dolosas em 20,8% em dias de partidas. A nova pesquisa mostra uma evolução preocupante nesses números, refletindo uma elevação significativa no risco de violência contra mulher em contextos ligados ao futebol.




