O sono de Leoni, que normalmente soma cerca de sete horas em sua casa, cai para aproximadamente cinco horas quando ele se encontra em um novo ambiente, independentemente da qualidade do local ou do uso de tampões de ouvido. Ele relata que, mesmo sem se sentir particularmente estressado, acorda várias vezes durante a noite, refletindo uma vigilância subconsciente caracterizada por um cérebro que permanece em alerta em ambientes desconhecidos.
Estudos demonstram que a maioria das pessoas experimenta essa alteração no padrão de sono, dormindo em média de 20 a 30 minutos a menos em novas localidades. Pesquisadores indicam que essa resposta adaptativa é provavelmente uma herança evolutiva, onde a vigilância se torna necessária para a sobrevivência em contextos desconhecidos. Ahmad Mayeli, professor de psiquiatria na Universidade de Pittsburgh, complementa que essa vigilância impede um sono profundo, refletindo uma atividade cerebral aumentada na área responsável pelo sono reparador.
Além de fatores evolutivos, outros elementos também impactam a qualidade do sono em novos ambientes. A própria dinâmica da viagem pode provocar estresse, e fatores como ambientes ruidosos ou desconfortáveis podem afetar ainda mais o descanso. Por outro lado, há indivíduos que conseguem dormir melhor em lugares novos por se sentirem desconectados de suas vidas cotidianas ou por estarem simplesmente mais cansados após um dia intenso de viagens.
Para muitos, a ansiedade pode agravar essa situação. Pessoas naturalmente mais ansiosas podem se preocupar exatamente com o ato de dormir, uma vez que essa preocupação pode se tornar uma profecia autorrealizável, impedindo que alcancem um descanso reparador. Leoni, por exemplo, admite que esses pensamentos podem invadi-lo, gerando um ciclo de preocupação que compromete ainda mais seu sono.
Para melhorar a qualidade do sono na primeira noite fora de casa, especialistas em distúrbios do sono sugerem adotar hábitos saudáveis de sono, como garantir que o quarto seja escuro e fresco, manter horários regulares de dormir, e evitar o uso de dispositivos eletrônicos antes de deitar. Tornar o espaço mais acolhedor, seja trazendo objetos familiares ou realizando atividades tranquilizadoras, também pode ajudar a reduzir o estranhamento do novo ambiente.
Mayeli tranquiliza que, embora a primeira noite fora de casa possa ser desafiadora, normalmente não há grandes preocupações com a perda de algumas horas de sono, pois a compensação pode ocorrer em outras noites. No entanto, para aqueles com compromissos importantes, é aconselhável chegar um dia antes, permitindo-se aclimatar-se antes de precisar estar em plena forma. Assim, ao enfrentar novas experiências de sono, é possível encontrar estratégias que promovam maior tranquilidade e descanso, mesmo em terrenos desconhecidos.




