Durante uma recente discussão no podcast “Mundioka”, especialistas em história e geopolítica apontaram para a gravidade da crise social e climática que o mundo enfrenta atualmente. Segundo Roberto Moll Neto, professor da Universidade Federal Fluminense, essa retórica de “salvar o mundo” frequentemente esconde objetivos mais materiais, especialmente relacionados aos interesses da elite econômica americana. Ele enfatiza que a visão de um “outro” inferiorizado não se originou nos EUA, mas é uma herança colonialista, que foi apropriada à medida que os EUA se solidificaram como uma potência global após a Segunda Guerra Mundial.
A globalização e as dinâmicas econômicas neoliberais permitiram que empresas americanas relocassem suas fábricas para países em desenvolvimento, em busca de mão de obra mais barata. Isso, no entanto, impactou negativamente a classe trabalhadora americana, que tinha a expectativa de uma vida digna. Muitos desses trabalhadores, desiludidos com a precarização do mercado de trabalho, deram suporte ao governo de Donald Trump, que prometeu a “reindustrialização” do país, acenando com a possibilidade de recuperar antigos padrões de vida.
Tatiana Poggi, também da UFF, argumenta que o conceito de Destino Manifesto está se tornando cada vez mais irrelevante em um mundo onde os interesses econômicos são os principais motivadores das ações políticas. Hoje, as intervenções internacionais são justificados não mais por uma suposta missão civilizadora, mas pelo simples fato de que atendem aos interesses dos Estados Unidos e de potências emergentes.
A perspectiva atual sugere que as nações estão se afastando da fachada de benevolência que outrora justificava a prática colonial e imperial. Os líderes globais simplesmente agem, sem a necessidade de uma narrativa moral que legitime suas ações. Este pragmatismo se reflete em um mundo onde gigantes tecnológicos e investidores priorizam seus ganhos, ignorando as consequências sociais e ambientais, o que evidencia uma busca desenfreada por poder e recursos.
Neste cenário, a reificação da soberania local e o respeito a limites se tornam um luxo, enquanto a competição por recursos naturais parece eclipsar qualquer discussão sobre ética ou responsabilidade global. A situação atual reflete um momento crucial na história, onde a ideia de um destino compartilhado se dissolve em uma luta mesquinha pelas sobras em um mundo em crise.





