Desmonte da Usaid por Trump provoca debate sobre papel da agência americana na assistência humanitária internacional.

A Usaid, agência americana de ajuda para o desenvolvimento internacional, voltou a ser assunto no noticiário devido às recentes ações promovidas por Donald Trump. A última vez que o nome da agência havia sido tão comentado foi há quase 50 anos, quando sua parceria com o Ministério da Educação brasileiro resultou na reestruturação do sistema escolar do país durante a ditadura militar.

Essa parceria entre MEC e Usaid gerou polêmica na época, com a esquerda denunciando a influência americana e a possível privatização da escola pública. As mudanças incluíram a extinção do ginásio, substituído pela primeira ao quinta série, e a introdução de novos conteúdos curriculares, como Ensino Moral e Cívica e inglês obrigatório.

Agora, décadas depois, a agência volta a ser alvo de controvérsias, mas por motivos opostos. Donald Trump tem liderado um movimento para desmontar a Usaid, alegando gastos excessivos em programas que não condizem com a agenda conservadora e nacionalista do governo. Elon Musk, encarregado de reduzir os custos do governo americano, criticou duramente a agência e defendeu o seu fechamento.

A Casa Branca, representada pela porta-voz Karoline Leavitt, listou uma série de gastos considerados desnecessários e polêmicos realizados pela Usaid, como financiamento para mudanças de sexo na Guatemala e programas de diversidade em diversos países. A oposição se indignou com os cortes propostos por Trump, alegando que vão contra os valores humanitários defendidos pela agência.

O “New York Times” tentou desmentir algumas das acusações feitas por Leavitt, mas admitiu que houve exageros em alguns exemplos. A direita brasileira, por sua vez, aproveitou a polêmica para levantar suspeitas sobre a atuação da Usaid em eleições nacionais.

Com um orçamento congelado de US$ 40 bilhões e sendo responsável pela assistência humanitária mundial, a Usaid enfrenta um período de incertezas sob a administração de Trump. Resta saber se os programas essenciais da agência, como combate à fome e doenças infecciosas, serão preservados diante dos cortes propostos pelo governo.

Em meio a essa disputa política, fica evidente que a Usaid continua sendo um elemento central nas relações internacionais e no debate sobre desenvolvimento sustentável e ajuda humanitária. A agência, que teve seu papel questionado desde sua atuação no Brasil até as atuais críticas de Trump, segue sendo um ponto de discussão relevante no cenário global.

Sair da versão mobile