Desigualdade salarial entre homens e mulheres no Brasil aumenta, mesmo com avanço da participação feminina no mercado de trabalho, aponta novo relatório.

Nos últimos anos, a presença feminina no mercado de trabalho brasileiro tem mostrado avanços significativos, embora a desigualdade salarial entre gêneros ainda persista de maneira alarmante. O recém-divulgado 5º Relatório de Transparência Salarial e de Critérios Remuneratórios revela que as mulheres que ocupam cargos no setor privado de empresas com 100 ou mais funcionários recebem, em média, 21,3% menos que seus colegas homens. Essa pesquisa, que analisa dados da Relação Anual de Informações Sociais (RAIS), abrange aproximadamente 53,5 mil estabelecimentos por todo o Brasil.

É importante notar que essa diferença salarial não apenas se mantém, mas cresceu em comparação a relatórios anteriores. Em março de 2024, a disparidade registrada era de 19,4%. Apesar desse aumento, o Ministério do Trabalho e Emprego classifica a evolução do cenário como estatisticamente estável. Atualmente, a média de remuneração das mulheres no Brasil é de R$ 4.594,89, com um salário de admissão mediano de R$ 2.295,36.

Entre os estados brasileiros, o Rio de Janeiro se destaca como uma das regiões com maior desigualdade salarial, com um índice de 71,2%, apenas um pouco abaixo do Paraná (71,3%) e à frente do Espírito Santo (70,7%). O relatório também menciona que o número total de mulheres empregadas aumentou consideravelmente, atingindo 8 milhões, um crescimento de 11%. Para as mulheres pretas e pardas, esse crescimento foi ainda mais expressivo, com um aumento de 29%.

No entanto, mesmo com esse crescimento no emprego, a porcentagem dos rendimentos femininos teve um leve aumento, passando de 33,7% para 35,2%, o que ainda não é suficiente para refletir adequadamente a presença feminina no mercado de trabalho formal. Para equilibrar essa relação, seria necessário um adicional de R$ 95,5 bilhões em rendimentos. A Subsecretaria de Estatística e Estudos do Trabalho do Ministério do Trabalho e Emprego aponta que um aumento de 10,6% na massa salarial feminina poderia impulsionar o consumo familiar e reduzir a desigualdade, embora isso apresente um desafio financeiro para as empresas.

O relatório também destaca avanços nas políticas de inclusão nas empresas. O percentual de organizações que afirmam implementar ações em prol de mulheres aumentou de 38,8% para 48,7%. Além disso, as contratações de mulheres indígenas e vítimas de violência também tiveram crescimento expressivo.

Desde a implementação da Lei de Igualdade Salarial em 2023, empresas com mais de 100 funcionários são obrigadas a adotar estratégias que promovam a igualdade de gênero, como garantir transparência salarial e criar canais de denúncia para casos de discriminação. O relatório ainda evidencia melhorias nas políticas internas das empresas, com um aumento na oferta de jornada flexível e no auxílio-creche, que passou de 22,9% para 38,4%.

Essas mudanças indicam um movimento em direção a uma maior equidade de gênero no ambiente corporativo, refletindo um compromisso por parte de diversas organizações em promover um espaço de trabalho mais justo e inclusivo para todos.

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