Esse descompasso gerou impacto direto no índice de Gini, um dos principais parâmetros para medir a desigualdade de renda no Brasil, que subiu de 0,504 em 2024 para 0,511 em 2025. Vale ressaltar que o índice de Gini varia de zero a um, e quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade em termos de distribuição de renda.
Embora a desigualdade tenha aumentado em um panorama mais recente, os dados sugerem um contexto positivo em longo prazo para os menos favorecidos. De 2019 a 2025, a renda dos 10% mais pobres teve um expressivo aumento de 78,7%, em contraste com a elevação de 11,9% para os 10% mais ricos. Além disso, ao serem analisados os rendimentos por pessoa, os 40% da população com menores rendimentos alcançaram o maior valor já registrado na série histórica em 2025, com um crescimento de 4,7% em relação ao ano anterior e uma elevação de 37,6% em relação a 2019.
Entre os fatores que contribuíram para o aumento da renda nas faixas mais baixas destaca-se o dinamismo do mercado de trabalho nos últimos anos, além dos reajustes do salário mínimo. Contudo, a disparidade entre as rendas pode ser atribuída em parte às altas taxas de juros, que tendem a aumentar o endividamento dos mais pobres, enquanto os mais ricos se beneficiam dos rendimentos advindos de aplicações financeiras.
Esse cenário evidencia a necessidade de políticas públicas que possam promover a equidade na distribuição de renda, visando não apenas o crescimento econômico, mas também o fortalecimento das bases sociais do país.
