Um dos momentos mais marcantes da apresentação foi quando um personagem caracterizado como Michel Temer, ex-presidente do Brasil, subiu ao carro alegórico para realizar um gesto simbólico que muitos interpretaram como uma crítica ao processo eleitoral e às mudanças de poder no país. Nesse ato, ele passa a faixa presidencial para um palhaço, uma figura que representa não apenas a frivolidade da política, mas também a ironia que envolve a troca de lideranças em momentos de crise.
A caracterização do palhaço e o gesto de Temer não foram meramente um espetáculo de entretenimento. O palhaço, em sua estética exuberante, simbolizava uma ruptura com a seriedade que normalmente envolve a política. Ao mesmo tempo em que fazia referência ao ex-presidente, o personagem indiretamente chamava atenção para as questões que dominaram o último período eleitoral. O gesto que ele faz com as mãos, evocando “arminhas”, é uma alusão clara ao simbolismo utilizado por apoiadores de Jair Bolsonaro, seu sucessor. Essa referência, além de ser uma crítica, também representa a polarização que tomou conta do cenário político brasileiro.
A performance da Acadêmicos de Niterói destaca o papel das escolas de samba como veículos de crítica social e política, mostrando que, através da arte, é possível discutir temas relevantes e provocar o público a refletir sobre a realidade de seu país. O Carnaval, assim, se reafirma como um espaço de manifestação e resistência, onde as tradições se misturam com as questões contemporâneas, refletindo o que realmente está em jogo no Brasil atual.







