Belo Horizonte – O início de 2023 foi marcante para o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com o afastamento de dois desembargadores por razões distintas e graves. O primeiro, Magid Nauef Láuar, enfrenta sérias acusações de abuso sexual, enquanto Alexandre Victor de Carvalho é alvo de investigações por suposto favorecimento em processos envolvendo a empresa 123 Milhas.
Os dados financeiros relacionados a esses magistrados revelam que, no último ano, eles receberam, juntos, cerca de R$ 1,5 milhão em penduricalhos, que incluem gratificações e adicionais que não fazem parte do salário base. O montante é resultado do pagamento de verbas como vantagens pessoais e indenizações, num período em que ambos estavam em atividade parcial ou total. Embora tenham sido afastados das funções, ambos continuaram a receber o salário integral, conforme uma resolução do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
O valor médio recebido foi impressionante. Magid Láuar acumulou aproximadamente R$ 739 mil em penduricalhos, enquanto Alexandre Victor de Carvalho obteve cerca de R$ 757 mil. Esse cenário levanta questões sobre a natureza das remunerações, uma vez que os magistrados contaram com benefícios que elevam as quantias recebidas. Em junho de 2025, por exemplo, Láuar somou R$ 39 mil de salário e R$ 88 mil em vantagens pessoais.
As denúncias que recaem sobre Láuar são alarmantes. O desembargador ficou em evidência nacional após uma decisão polêmica na qual absolveu um homem de 35 anos acusado de estuprar uma menina de 12, alegando um “vínculo consensual”. Esse episódio gerou revolta e críticas severas, culminando na revisão de sua sentença. Outras denúncias surgiram, revelando que pelo menos cinco pessoas teriam procurado as autoridades para relatar supostos abusos feitos por ele durante sua carreira.
Por sua vez, Alexandre Victor de Carvalho está sob investigação por questões que envolvem sua conduta em decisões judiciais que beneficiaram a 123 Milhas, empresa que passou por problemas financeiros. Carvalho solicitou aposentadoria minutos após ser informado sobre seu afastamento, um ato que suscitou mais questionamentos sobre sua integridade no exercício da função.
O CNJ, ao ser contatado, declarou que as investigações estão em sigilo e não estipulou um prazo para conclusão dos casos. A situação desses desembargadores ressalta a necessidade de um olhar mais atento às condutas de membros do judiciário e às estruturas de remuneração que frequentemente escapam ao controle desejado pela transparência pública.







