Desembargadora aposentada por favorecimento ao filho preso recebeu R$925 mil em 2023, ultrapassando teto salarial constitucional.

Em 2023, a desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges, do Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, foi alvo de críticas após ter recebido vultosos valores brutos em sua aposentadoria, mesmo após ter sido compulsoriamente afastada de seu cargo por ter usado a sua posição para tentar libertar o filho, preso por tráfico de drogas. Ao longo do ano, ela embolsou cerca de R$ 925 mil em valores brutos, incluindo R$ 489 mil em verbas extras que inflaram consideravelmente o seu salário. Após os descontos, seus rendimentos líquidos foram de R$ 715 mil.

Os dados foram disponibilizados no Portal da Transparência do Tribunal de Justiça. Questionada sobre a questão, a Corte ainda não se manifestou. No entanto, o tribunal alegou em seu portal de transparência que nenhum dos seus colaboradores, juízes ou desembargadores recebem acima do teto constitucional, estipulado em R$ 41.650,92.

Apesar disso, a desembargadora recebe uma remuneração base de R$ 36.282,27 mensais, além de um adicional por tempo de serviço que varia de R$ 30.000 a R$ 100.000 mensais, dependendo do mês. As verbas indenizatórias e vantagens eventuais, como 13º salário e reembolso por férias atrasadas, são contadas fora do teto constitucional, possibilitando o recebimento de altos salários, também conhecidos como “supersalários”.

A desembargadora foi aposentada compulsoriamente em 2021 pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o órgão que administra e fiscaliza o Poder Judiciário. A penalidade foi devida ao fato de ter utilizado seu cargo para tentar favorecer o próprio filho, inclusive com métodos controversos. Segundo informações, ela chegou a ir até a penitenciária, escoltada por policiais civis, para retirar o filho da cadeia e encaminhá-lo a uma clínica psiquiátrica.

Além disso, a desembargadora recorreu ao Supremo Tribunal Federal para tentar reverter a decisão do CNJ, mas teve seu pedido liminar negado pelo ministro Luís Roberto Barroso. O mérito do pedido ainda está pendente de julgamento.

O caso da desembargadora Tânia Garcia de Freitas Borges chama atenção para discussões sobre os altos salários e privilégios no setor público, especialmente no Judiciário. A expectativa é de que ações como a do Supremo Tribunal Federal e a atuação do Conselho Nacional de Justiça possam contribuir para maior transparência e controle sobre os ganhos dos magistrados, tornando o sistema mais eficiente e justo para toda a sociedade.

Sair da versão mobile