Este novo decreto também impõe limites rígidos para construções em áreas designadas, estabelecendo uma altura máxima de 20 metros, o que equivale a edificações de seis a sete andares. O objetivo expressado pela administração municipal é proteger as características arquitetônicas e paisagísticas dessas áreas, evitando construções que possam comprometer a beleza urbana e o acesso às praias, além de prevenir sombras que afetem a qualidade de vida dos moradores.
Entretanto, a recepção do decreto foi morna. Enquanto alguns moradores e líderes comunitários expressam otimismo quanto à nova regulamentação, outros levantam preocupações. Maria Amélia Loureiro, presidente da Associação de Moradores e Amigos de Ipanema, classificou a medida como tardia, citando construção de prédios que já ultrapassam o limite desejado, o que poderia tornar a nova regulamentação ineficaz.
Por outro lado, alguns especialistas, como Carlos Eduardo Nunes Ferreira, vice-diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da UFRJ, analisam o decreto com ceticismo, apontando que ele é mais liberal do que as regulamentações anteriores, como a da Apac Ipanema, que permitia apenas 12 metros de altura. Ferreira critica a dispensa da criação de áreas de entorno, um aspecto que, segundo ele, facilitaria o licenciamento e comprometeria a preservação cultural.
Enquanto isso, a presidente da Associação de Moradores do Leblon, Evelyn Rosenzweig, vê a nova Apac como uma extensão positiva das regulamentações anteriores, destacando que, embora haja desafios na conservação do calçadão, o tombamento pode gerar uma nova onda de revitalização e cuidado por parte da prefeitura.
O debate sobre a Apac Bossa Nova continua, refletindo as tensões entre progresso urbano e preservação cultural em um dos bairros mais emblemáticos do Rio de Janeiro. As vozes discordantes entre os moradores demonstram que a busca por um equilíbrio entre desenvolvimento e patrimônio ainda é um caminho repleto de desafios a serem superados.





