As escavações realizadas no Terraço Inferior do assentamento trouxeram à luz uma variedade de artefatos intrigantes. Entre eles, destacam-se vasos votivos, cerâmica importada, ossos de animais e fragmentos de um kline ricamente decorado, um tipo de sofá utilizado em banquetes. Os arqueólogos, liderados por Dejan Gjorgjievski, apontam que esses vestígios corroboram a ideia de que o local não era apenas um espaço de habitação, mas sim que servia como um recinto sagrado dedicado a práticas cerimoniais.
Uma das descobertas mais impressionantes é um grande vaso de armazenamento, adornado com a imagem de uma deusa feminina, possivelmente Deméter, figura associada à agricultura e à fertilidade. A representação a mostra a deusa segurando uma cornucópia enquanto realiza uma libação sobre um tripé, revelando a conexão do local com cultos de fertilidade e abundância.
Nas proximidades, os arqueólogos encontraram ossos de javali e cabra, além de recipientes destinados a bebidas, que sugerem a realização de refeições rituais. Essas práticas são comuns em contextos de culto e reforçam a importância do local nas dinâmicas sociais da época. Fragmentos adicionais de um kline, decorados e moldados, revelam um alto nível de sofisticação na ceramicidade da região, além de uma clara intenção ritualística.
A escavação também revelou o que parece ser um períbolo, uma muralha que delimita formalmente o espaço sagrado e indica a intenção de criar uma separação entre o mundo profano e o sagrado. Embora a busca por um templo ainda não tenha resultado em achados definitivos, a disposição dos objetos e das estruturas sugere que o Terraço Inferior desempenhou papéis múltiplos dentro da vida comunitária, especialmente em rituais.
Adicionalmente, uma sala adjacente à muralha apresentou um rico acervo de utensílios de mesa helenísticos e ossos de animais, reforçando a ideia de que banquetes comunitários eram parte integrante dos rituais, com semelhanças às celebrações dedicadas a Deméter e Perséfone, a deusa do submundo.
As próximas etapas das investigações buscam aprofundar a compreensão sobre a função específica do espaço, a relação entre as estruturas encontradas e a possibilidade de que um templo tenha existido ali, em um trabalho coordenado pelo Museu Nacional de Kumanovo, em parceria com o Ministério da Cultura e Turismo local. Essa busca não apenas iluminará um aspecto significativo da vida helenística na região, mas também contribuirá para o entendimento mais amplo das práticas rituais da Antiguidade.
