A base para essa nova entendência da ocupação humana na Amazônia foi estabelecida por meio de mapeamentos aéreos, que enviam pulsos de laser para penetrar a densa vegetação da floresta tropical. A pesquisa realizava-se em uma área total de 4.497 quilômetros quadrados e revelou 432 estruturas de terraplanagem, entre as quais se incluem valas profundas, aterros e caminhos dispostos em formas geométricas notáveis.
As diferenças nos dados obtidos por satélite em comparação com as informações geradas pelo LiDAR foram notáveis. Enquanto apenas 30 objetos antigos tinham sido detectados por satélites, a tecnologia LiDAR localizou 156 estruturas adicionais na mesma área. Esse contraste sugere que, ao extrapolar os dados, poderia haver entre 24 mil e 30 mil estruturas semelhantes ao longo da região.
A análise dos pesquisadores aponta que aproximadamente dois terços destas construções datam do que é conhecido como civilização Aquiry. Até então, os antropólogos acreditavam que a Amazônia pré-colonial era habitada por cerca de 60 mil pessoas, mas essa nova evidência sugere uma densidade populacional muito mais alta. Se essa tendência se confirmar em outras partes da Amazônia, as estimativas de população total para a região durante o período pré-colonial poderão precisar de uma revisão significativa.
Essas descobertas não apenas ampliam nosso conhecimento sobre a complexidade das sociedades que viveram na Amazônia, mas também têm implicações profundas sobre a maneira como entendemos a história da região e a influência dos humanos no ecossistema amazônico.
