Os enterros encontrados no local mudaram as perspectivas sobre como os animais eram tratados em contextos funerários. O javali, por exemplo, tem uma conotação negativa em muitas culturas antigas, especialmente a egípcia, onde estava associado à divindade Seth, que simbolizava o caos e a desordem. Portanto, a presença desses animais em sepulturas sugere uma configuração diferente que pode indicar práticas econômicas ou domésticas, ao invés de rituais estritamente religiosos.
Os restos humanos resgatados apresentam uma diversidade de orientações e posturas. Os arqueólogos observaram que as sepulturas eram tanto individuais quanto coletivas, com os corpos posicionados em direções norte-sul e leste-oeste. As posições dos braços também variavam, com alguns enterrados de forma clássica, com os braços cruzados sobre o peito, o que remete à conhecida posição osiriana.
A pesquisa ainda revela que o cemitério foi construído sobre camadas de assentamento muito mais antigas, com uma história que remonta ao Império Antigo do Egito, ou seja, há mais de 3.000 anos. Os arqueólogos também identificaram que em algumas sepulturas os corpos estavam em covas simples, enquanto outros encontraram descanso em molduras de tijolos de lama ou caixões decorados, o que indica um certo nível de complexidade nas práticas funerárias da época.
Esse achado não só enriquece o conhecimento sobre os rituais funerários do Egito antigo, mas também levanta novas questões sobre a vida diária e as interações culturais do povo que habitou essa região há milênios. A análise e a interpretação dos artefatos ainda estão em estágio inicial, e muitos aspectos dessa necrópole ainda precisam ser desvendados.
