Descoberta em Vichama: Estatueta de 3.800 anos com sapos entrelaçados revela relações entre fertilidade, água e antigas respostas a crises ambientais nas civilizações andinas.

Recentes investigações arqueológicas em Vichama, uma das áreas mais emblemáticas da civilização Caral, revelaram um intrigante artefato de argila com 3.800 anos: uma estatueta que retrata dois sapos entrelaçados. Essa escultura, com cerca de 12 centímetros de altura, não só provoca curiosidade por sua estética única, mas também carrega significados profundos relacionados à fertilidade e à chuva, aspectos vitais na cosmovisão andina.

O achado foi oficialmente anunciado pelo Ministério da Cultura do Peru e provocou alvoroço entre especialistas e admiradores da história antiga, especialmente por ser o primeiro artefato do gênero vinculado à antiga civilização Caral, que é considerada a mais antiga das Américas. A presença dos sapos na arte andina é frequentemente associada à água, um recurso crucial para a agricultura, a qual sustentava a vida em comunidades que enfrentavam desafios ambientais.

Vichama, situada a aproximadamente 110 km ao norte de Lima, foi um importante centro urbano no período em que a civilização Caral estava em seu auge, por volta de 1.800 a.C. Ocupando uma área de 25 hectares, o sítio é notável por suas 28 estruturas arquitetônicas, que incluem praças cerimoniais e edifícios públicos. Os impressionantes murais em relevo, que apresentam figuras humanas e simbolismos agrícolas, reforçam a conexão entre espiritualidade e arte, bem como as estratégias utilizadas por essas antigas sociedades para lidar com a escassez de recursos.

As escavações em Vichama, iniciadas em 2007, continuam a desvelar obras únicas que ajudam a diferenciar este local de outros centros da civilização Caral. Enquanto as monumentais pirâmides de pedra de Caral nos falam de uma arquitetura grandiosa, Vichama proporciona uma visão mais íntima da vida cotidiana e das expressões culturais de seus habitantes. Este contraste enriquece o entendimento sobre a ancestralidade da região e suas interações com o ambiente.

Estabelecida há cerca de 5.000 anos, a civilização Caral, também conhecida como Norte Chico, é reconhecida pela sua organização social avançada, distinta por operar sem cerâmica e uso de guerra. A economia da sociedade era baseada na agricultura, pesca e comércio, sendo que rituais religiosos desempenhavam um papel fundamental em sua estrutura.

O significado da estatueta dos sapos se materializa ainda mais em tempos contemporâneos, quando questões como a crise hídrica e as mudanças climáticas dominam a agenda global. A artefato é um lembrete de que, há milênios, comunidades antigas já lidavam com questões ambientais em suas práticas culturais. Para especialistas, esse achado incrível é uma peça chave que ilumina a profunda conexão espiritual entre os habitantes do passado, a natureza e suas estratégias de sobrevivência, um vínculo que ressoa ainda hoje.

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