As escavações, que fazem parte de um projeto de recuperação vinculado à construção da nova linha ferroviária Cidade do México-Querétaro, revelaram sepulturas que oferecem uma janela para o passado cultural desta civilização. O Instituto Nacional de Antropologia e História (INAH) informa que a região foi predominantemente ocupada entre 225 e 600 d.C., período em que Teotihuacan alcançou seu auge. Investigações adicionais revelaram uma estrutura urbano-residencial organizada em torno de pátios, além de restícios de sepulturas individuais e coletivas que evidenciam a complexidade social do local.
Entre as sepulturas, algumas foram encontradas em cistas rasas, enquanto outras estavam escavadas diretamente no solo vulcânico. Dentre estas, cinco tumbas se destacam por suas características semelhantes a poços, apresentando acessos verticais que levavam a câmaras funerárias. Esse estilo de sepultamento sugere uma rica simbologia e práticas ritualísticas diversificadas, refletindo uma conexão com a memória e identidade cultural dos povos daquela época.
Na tumba do norte, os pesquisadores recuperaram os restos de oito indivíduos, predominantemente adultos, com evidências que indicam reaberturas sucessivas das sepulturas. Essa descoberta sugere um contínuo vínculo com os mortos, cujas vidas e identidades foram marcadas através de rituais e oferendas, como os vasos cerâmicos encontrados nas proximidades dos corpos.
Outros objetos notáveis incluem ornamentos de conchas, reforçando a riqueza cultural e comercial da região durante as eras Tlamimilolpa e Xolalpan. O sítio, além de ser um importante foco arqueológico, serve como um ponto de conexão para entender a rede regional que abrangeu lugares como Chingú, El Tesoro e Acoculco, todos inseridos dentro da esfera de influência de Teotihuacan.
Esses achados não apenas ampliam o conhecimento sobre as práticas funerárias antigas, mas também desafiam a narrativa histórica, mostrando que comunidades vibrantes e complexas já habitavam a região muito antes da ascensão de Tula como um centro tolteca entre 900 e 1200 d.C. A pesquisa contínua nessas áreas promete revelar mais sobre a vida e a morte dos povos pré-hispânicos do México central, assim como a inter-relação entre diferentes civilizações na América antiga.
