O complexo é composto por vários edifícios retangulares de tijolos crus, alinhados orientalmente, apresentando dimensões que oscilam entre 8 por 7 metros e 14 por 8 metros. Entre as descobertas estão pequenas salas abobadadas, que serviam como celas para os monges e espaços voltados à meditação e oração pessoal. Adicionalmente, foram identificados edifícios circulares que funcionavam como refeitórios comunitários, locais onde os monges se reuniam para refeições.
Um dos pontos mais notáveis da descoberta é uma estrutura maior, que acredita-se ter sido a principal igreja do mosteiro, com cerca de 14 por 10 metros. Este edifício estava dividido em três áreas principais: a nave, o coro e o altar, elementos que são característicos das igrejas bizantinas. Essa organização arquitetônica é um testemunho do desenvolvimento espiritual e cultural da época.
No interior do complexo, foram encontrados diversos artefatos que oferecem uma visão fascinante sobre a vida cotidiana dos monges. As escavações revelaram ânforas utilizadas para armazenar alimentos, com inscrições que incluem letras e números. Além disso, fragmentos de cerâmica e lajes de calcário gravadas em copta foram descobertos, sugerindo um nível de alfabetização e organização administrativa significativo entre essas comunidades monásticas.
De acordo com Walid El-Sayed, diretor da missão arqueológica, essa descoberta sublinha a importância da região de Sohag no contexto do cristianismo primitivo. Durante o período bizantino, o Alto Egito emergiu como um centro vital para a cultura monástica cristã, influenciando tradições espirituais em todo o Mediterrâneo Oriental. Essa descoberta não apenas enriquece nosso entendimento sobre o passado, mas também destaca a continuidade das práticas religiosas que moldaram a história da região e da fé cristã.
