Descoberta de ritual com ratos milenares em Creta revela cultos antigos dedicados a Apolo Esmínteo, divindade protetora de plantações e doenças.

Uma equipe de arqueólogos composta por cientistas italianos e gregos fez uma descoberta fascinante na ilha de Creta, onde excavam o Santuário de Apolo. Durante o processo, os pesquisadores identificaram os restos mortais de aproximadamente 450 ratos que foram enterrados há cerca de 2.700 anos. Essa revelação lança novas luzes sobre as práticas religiosas e os cultos que existiam na Grécia Antiga, especialmente a respeito do deus Apolo.

Os dados levantados pelos arqueólogos indicam a possível existência de um culto dedicado a Apolo Esmínteo, conhecido na mitologia grega como o ‘Apolo dos ratos’. Este aspecto da divindade é significativo, pois Apolo Esmínteo era invocado pelos agricultores como uma forma de proteção das plantações contra os roedores e também como um guardião contra as doenças transmitidas por esses animais. A descoberta dos ratos enterrados pode ser um indicativo claro de que rituais associando a divindade com os roedores eram praticados na época, destacando uma faceta interessante da relação entre humanos e animais na Grécia Antiga.

Além desta nova evidência, o culto a Apolo Esmínteo já era mencionado em textos clássicos, como na famosa ‘Ilíada’, de Homero, o que reforça a importância e a influência desse deus nas crenças da época. Embora seja um aspecto menos comentado da mitologia grega, a figura de Apolo Esmínteo revela a multiplicidade de funções que os deuses desempenhavam no cotidiano dos antigos, abrangendo não apenas o arcaico mundo da guerra e do amor, mas também questões práticas como a agricultura e a saúde pública.

Esse achado não apenas enriquece o nosso entendimento sobre os rituais religiosos da época, mas também destaca a complexidade das interações humano-animal, além de abrir portas para futuras investigações arqueológicas e etnográficas que podem elucidar ainda mais as particularidades da cultura e da religião na Grécia Antiga. Com cada descoberta, os arqueólogos revelam uma camada adicional da rica tapeçaria que compõe a história da civilização ocidental.

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