Descoberta Arqueológica na Sérvia Revela Conexões Comerciais e Dietas Antigas
Uma recente escavação na Fortaleza de Belgrado, na Sérvia, trouxe à luz restos de camelos que datam da Idade Média, oferecendo novas perspectivas sobre práticas de comércio e consumo de animais na região dos Bálcãs. Os ossos encontrados durante as escavações, especificamente na área do Portão Leste da fortaleza, foram datados por meio de radiocarbono, revelando que pertenciam a dois períodos distintos: romano (20–250 d.C.) e medieval tardio (1410–1650 d.C.).
O estudo, que representa a primeira análise zooarqueológica dos vestígios encontrados no local, destaca a importância da Fortaleza de Belgrado, o que sugere que, ao longo de mais de dois mil anos, este espaço funcionou como um ponto estratégico de convergência militar, política e comercial. Na época romana, por exemplo, a cidade de Singidunum, que está na localização da fortaleza, foi um importante acampamento militar da Legio IV Flavia Felix, garantindo a defesa da fronteira do Danúbio.
Os resultados encontrados demonstram que, durante o período romano, a dieta local era baseada principalmente em ovelhas e cabras, com a carne sendo uma prioridade de produção. Em contrapartida, os depósitos do período medieval revelaram uma mudança significativa nas práticas alimentares: observou-se um aumento na presença de ovelhas e cabras, enquanto os ossos de suínos estavam ausentes. Isso indica uma transição de foco do consumo de carne para um modelo econômico que privilegiava o leite e o uso dos animais para transporte e trabalho.
Particularmente intrigante é a identificação de ossos de camelo híbrido, que não correspondem a espécies puras conhecidas, como o dromedário ou o camelo-bactriano. Essa descoberta sugere não apenas o comércio de longa distância, mas também vínculos militares que permitiram a introdução de espécies não nativas na região. Esses achados estão alinhados com uma mudança nas práticas econômicas ao longo dos séculos, refletindo adaptações às normas sociais e dietéticas do domínio otomano.
Essas evidências trazem à tona a complexidade das interações culturais e comerciais que moldaram a história da Sérvia e dos Bálcãs, revelando como as práticas alimentares evoluíram em resposta a fatores sociais, econômicos e políticos ao longo do tempo.
