Os canhões recuperados apresentam cinco calibres diferentes e evidências de danos estruturais, sugerindo que poderiam ter sido usados em combate antes do afundamento ou transportados como lastro. Apesar disso, a ausência de carretas preservadas não permite conclusões definitivas sobre seu estado anterior. A prata, outra característica notável do achado, conta com 18 lingotes que pesam cerca de meia tonelada, os quais se acredita que tenham sido transportados como contrabando — uma prática comum devido às rígidas regulamentações fiscais impostas pela Coroa espanhola na época.
A naufrágio Delta I não é apenas um testemunho físico de um barco perdido, mas um importante indício das interações entre diferentes potências da época, incluindo a França e a Suécia. A pesquisa revela que o navio foi construído na região ibero-atlântica, mas operava a serviço dos interesses franceses, o que expõe as complexidades das rotas Comerciais e as dinâmicas de contrabando que eram predominantes no Atlântico.
Cádiz, em particular, servia como um ponto crucial para o comércio de armas e metais, funcionando quase como uma porta de entrada que facilitava tanto a circulação legal quanto a clandestina de mercadorias, apesar do monopólio oficial de Sevilha. O naufrágio do Delta I, portanto, representa um elo significativo entre guerra, comércio, império e contrabando e destaca a riqueza histórica da região.
Com a ajuda de tecnologias modernas, como modelagem 3D e análises de madeira, os pesquisadores estão tentando descobrir a origem e a trajetória da embarcação. Embora o nome do navio e as circunstâncias exatas de seu naufrágio ainda sejam um mistério, sua preservação oferece uma perspectiva valiosa sobre a economia militar e as redes comerciais que moldaram o Atlântico no século XVII. Assim, o Delta I não é apenas um fascinante achado arqueológico; é uma janela para um passado onde poder, comércio e contrabando coexistiam e se entrelaçavam em um cenário altamente dinâmico.





