Descoberta de naufrágio do século XIV em Singapura revela rica história comercial da região com cerâmicas de luxo e conexões comerciais ativas.

Uma recente escavação marítima nas águas de Singapura revelou um achado arqueológico impressionante: o naufrágio mais antigo registrado na região, datado entre 1340 e 1352. Este esforço de quatro anos, focado no que se acredita ser o Naufrágio do Temasek, lança nova luz sobre o vibrante passado comercial da área, que funcionava como um ativo entreposto comercial há quase 700 anos.

Durante a expedição, arqueólogos recuperaram cerca de 3,5 toneladas de cerâmica, a maior parte em fragmentos, mas com algumas peças intactas ou quase intactas. Entre os itens mais notáveis estão 136 kg de porcelana azul e branca da famosa cidade chinesa de Jingdezhen, o que representa a maior quantidade deste tipo de cerâmica já encontrada em um naufrágio documentado. Além disso, foram coletados diversos tipos de cerâmica, como celadon de Longquan, qingbai de Dehua, cerâmica verde dos fornos de Fujian e jarros de grés de Cizao.

As análises dos materiais encontrados, levando em conta os estilos decorativos e as origens dos fornos, indicam que a última viagem do naufrágio ocorreu durante a dinastia Yuan. Esta pesquisa revelou detalhes como a presença de motivos decorativos de patos-mandarins em lagos de lótus, que correspondem a um período específico da produção cerâmica local, antes de um período de agitação política.

As evidências também sugerem que a embarcação era um junco chinês partindo de Quanzhou, transportando itens de luxo e jarros destinados ao transporte de mercadorias. Os fragmentos cerâmicos encontrados nos destroços são similares a aqueles descobertos em sítios arqueológicos em Singapura, com formatos que sugerem um destino em Temasek.

Essa descoberta oferece uma valiosa referência temporal sobre as mercadorias da dinastia Yuan no Sudeste Asiático. Por fim, a quantidade e a qualidade dos achados confirmam que Singapura já era um porto movimentado e integrado às redes comerciais da região, desmistificando a visão de que o local era apenas uma vila de pescadores durante sua história inicial. Esse naufrágio, portanto, não apenas enriquece o conhecimento sobre o passado de Singapura, mas também destaca a importância histórica do comércio marítimo no sudeste asiático.

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