Descoberta de Duplo Batismo em Catedral Bizantina de Hipo Revoluciona Compreensão de Rituais Religiosos na Antiguidade

Recentemente, escavações arqueológicas no sítio da antiga catedral bizantina em Hipo, à beira do mar da Galileia, revelaram uma descoberta significativa: os restos de um segundo salão batismal, complementando um já conhecido anteriormente. Esta descoberta não só destaca a importância religiosa do local, mas também sugere a realização de rituais batismais em paralelo, refletindo a complexidade das práticas da época.

A catedral de Hipo é agora reconhecida como um dos raros locais onde se pôde observar a prática do duplo batismo, algo incomum entre a maioria das igrejas bizantinas, que apresentavam apenas um batistério. O segundo salão, que data de um período posterior à reconstrução da catedral entre 590 e 591 d.C., possui um design exclusivo, incluindo uma pequena pia batismal embutida em um canto, uma adaptação arquitetônica bastante peculiar.

Os arqueólogos postulam que esses dois salões poderiam ter sido utilizados simultaneamente, possivelmente para separar o batismo de adultos e crianças ou para seguir diferentes tradições rituais. Na segunda sala, foram descobertos elementos intrigantes, como um bloco de mármore com três depressões hemisféricas, cuja função exata permanece incerta. Pesquisadores acreditam que essas depressões poderiam ter sido utilizadas para armazenar óleos sagrados essenciais aos ritos de iniciação religiosa.

Além do relicário de mármore, que conta com várias seções e uma tampa elaborada, um candelabro de bronze de aproximadamente um metro também foi encontrado, apontando para a riqueza litúrgica da catedral. Essa crescente complexidade nas estruturas batismais revela transformações mais amplas na sociedade cristã do final do século VI, sugerindo um aumento na população, um maior fluxo de peregrinos ou uma evolução nas doutrinas teológicas da época.

Um fator interessante que contribui para a preservação desses achados é o fato de a segunda sala ter sido enterrada sob uma camada de terra e detritos resultantes de um terremoto que ocorreu em 749 d.C., garantindo que os vestígios chegassem em bom estado até os dias atuais. Essas descobertas não apenas iluminam aspectos da prática religiosa antiga, mas também oferecem uma janela rara para os rituais cotidianos e a vida cristã daquele período na região.

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