Descoberta de broca de metal de 6 mil anos no Egito revoluciona conhecimento sobre tecnologia pré-dinástica e habilidades avançadas de manufatura da civilização antiga.

Uma descoberta arqueológica notável está mudando a compreensão sobre a tecnologia do Egito antigo. Recentemente, pesquisadores identificaram uma ferramenta metálica, datada do final do quarto milênio a.C., como a broca de metal mais antiga da região, encontrada no sítio arqueológico de Badari, elevado no Alto Egito. Esse achado, que remonta a um período anterior à formação das primeiras dinastias egípcias, chama a atenção para a sofisticação técnica de uma civilização que há muito tempo fascina historiadores e arqueólogos.

Originalmente descoberta há aproximadamente 100 anos, a peça não recebeu a devida valorização na época. No entanto, investigações recentes realizadas por equipes da Universidade de Newcastle e da Academia de Belas Artes de Viena trouxeram nova luz ao artefato, que antigamente era considerado apenas uma simples sovela de cobre com tira de couro. Medindo cerca de 63 milímetros e pesando 1,5 gramas, a ferramenta revelou detalhes intrigantes após uma análise detalhada. Marcas de uso rotativo foram identificadas em sua ponta, junto com bordas arredondadas e uma curvatura leve, indicando que sua função era de fato a de uma broca, utilizada para perfurações precisas em materiais duros.

Os fragmentos de couro ainda aderidos à ferramenta sugerem que ela fazia parte de um sistema de furadeira de arco, uma tecnologia que consistia em movimentar um cordão enrolado na haste da broca para produzir rotação. Essa inovação tecnológica já era representada em tumbas de períodos posteriores, mas achados dessa natureza, datados tão antigos quanto o de Badari, são extremamente raros.

Além disso, a análise química da liga metálica revelou uma combinação de cobre com arsênio, níquel e traços de prata e chumbo, que conferia ao metal uma dureza superior ao cobre puro. Esse aspecto indica que os antigos egípcios tinham acesso a diversas fontes de minério ou até mesmo redes de comércio que se estendiam para além do Vale do Nilo.

Essas revelações sugerem uma continuidade na evolução técnica ao longo dos séculos, com brocas semelhantes aparecendo em representações do Novo Império, mais de dois mil anos após a fabricação desta peça. Essa descoberta não apenas amplia o entendimento sobre a tecnologia pré-dinástica egípcia, mas também destaca a complexidade cultural e comercial de uma civilização que moldou a história mundial.

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