A análise detalhada dos itens encontrados sugere que o Delta I foi construído na região ibero-atlântica, mas operava sob a bandeira da França. A presença da artilharia sueca levanta questões intrigantes sobre as rotas de comércio da época, especialmente porque esses armamentos provavelmente eram negociados por intermediários holandeses. Essa dinâmica ressalta a complexidade do comércio de armas e a interconexão entre diferentes nações, que operavam em um mundo marcado por rivalidades e alianças estratégicas.
Os pesquisadores acreditam que a história do Delta I serve como um importante exemplo de como interesses militares e comerciais se entrelaçavam nas rotas marítimas clandestinas, desafiando as restrições impostas pelos Estados europeus. Essa revelação não só enriquece o nosso entendimento sobre o comércio marítimo no século XVII, mas também nos ajuda a compreender as táticas de contrabando usadas para driblar a vigilância governamental da época.
Além disso, a descoberta fornece insumos valiosos para o estudo das interações entre as potências europeias no contexto do colonialismo e das guerras marítimas. A exploração dos naufrágios do passado tem o potencial de iluminar aspectos pouco conhecidos da história marítima, revelando como operar à sombra dos regulamentos e como a dinâmica do comércio internacional evoluía em tempos de conflito e alteridade. Essa descoberta em Cádiz se junta a uma série de investigações arqueológicas que estão cada vez mais desvendando os mistérios das trocas comerciais e das estratégias militares de épocas passadas.
