Os especialistas descobriram 19 poços que continham ossos de diversas espécies, incluindo búfalos, cervos, leões e até aves domésticas. O mais intrigante foi a presença de sinos de bronze encontrados ao redor do pescoço de vários desses animais. No total, 29 sinos foram encontrados, o que indica não apenas que muitos deles eram mantidos como animais de estimação ou de cultivo, mas também que provavelmente eram parte de um ritual. Essa evidência sugere que as práticas de cativeiro e sacrifício de animais eram muito mais sofisticadas do que se pensava anteriormente.
Particularmente interessantes são as marcas encontradas nos crânios de alguns cavalos, que indicam que esses animais foram sacrificados de maneira ritualística, com grande precisão e provavelmente em grupos. Os cavalos eram depositados em números pares nas covas, o que sugere uma prática cerimonial bem estruturada e organizada.
Niu Shishan, chefe do projeto de escavação, observou que a presença desses animais e a maneira como eram tratados refletem uma rede avançada para a aquisição e manejo da fauna silvestre já na Dinastia Shang, que ocorreu entre 1600 e 1046 a.C. Isso levanta questões sobre a complexidade da sociedade daquela época e suas habilidades em domesticar e manter relacionamentos com a fauna.
A descoberta não apenas oferece uma nova visão sobre a domesticação animal na China antiga, mas também coloca em perspectiva as práticas rituais da época, ligando-as a uma cultura que já possuía um entendimento avançado sobre a interação entre humanos e animais. Essa escavação pode mudar nossa compreensão sobre a vida cotidiana e as crenças religiosas na China antiga, oferecendo um olhar raro sobre o que significa estar profundamente interligado com a natureza e as práticas de sacrifício que acompanhavam esses relacionamentos.







