Os pesquisadores confirmaram a presença de uma muralha imponente, construída com grandes blocos irregulares, que atesta uma ocupação contínua no local. O estudo preliminar sugere que essa muralha pode ter sido reparada durante a era islâmica, mas suas origens podem remeter a períodos ainda anteriores, possivelmente bizantinos ou pré-bizantinos. Além disso, foram identificados fossos e cavidades que podem ter sido utilizadas para diversas finalidades, como atividades domésticas, agrícolas ou mesmo industriais, o que poderá revelar mais detalhes sobre a vida cotidiana em Cabrera durante a Idade Média.
Uma descoberta particularmente notável foi a identificação de cerâmicas talaióticas, uma primeira para este sítio. Este tipo de cerâmica, associada a comunidades pré-históricas das Baleares, sugere que Cabrera pode ter sido um ponto de interconexão e intercâmbio muito antes da chegada de romanos e bizantinos ao território, o que amplia a compreensão da ocupação humana na região ao longo do tempo.
Além das cerâmicas talaióticas, as escavações também revelaram artefatos bizantinos dos séculos VI e VII, incluindo peças produzidas localmente e importadas do Norte da África e do Mediterrâneo Oriental. Essas descobertas indicam a existência de rotas comerciais ativas na época, enquanto a presença de materiais romanos e pré-romanos foi observada em menor quantidade, sugerindo alterações nos padrões de povoamento na região.
O projeto de escavação é apoiado pelo Parque Nacional de Cabrera e conta com financiamento europeu, com previsão de continuidade até 2029. As próximas etapas se concentrarão no aprofundamento dos estudos das cerâmicas talaióticas e na análise das estruturas islâmicas, reforçando ainda mais a importância de Cabrera como um ponto crucial para entender a evolução cultural das Baleares ao longo dos milênios. Cada nova camada descoberta é um passo em direção a uma compreensão mais rica e complexa da história dessa fascinante ilha.






