Desafios do Banco Central: Galípolo alerta sobre perda de servidores e restrição orçamentária que afetam supervisão financeira no Brasil.

Desafios do Banco Central: Galípolo destaca preocupações em audiência no Senado

Em uma audiência na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, Gabriel Galípolo, presidente do Banco Central, expôs os desafios enfrentados pela autarquia, que incluem a significativa perda de servidores, restrições orçamentárias e limitações no investimento em tecnologia. Durante a sessão, Galípolo advertiu que essas condições podem comprometer a capacidade de supervisão do sistema financeiro nacional.

Nos últimos dez anos, o Banco Central viu a saída de aproximadamente 1.200 a 1.300 servidores. Este ano, 100 aposentadorias estão previstas apenas na área de Supervisão, que atualmente conta com 600 servidores, podendo cair para 500. Com a crescente quantidade de instituições sob sua tutela — cerca de 1.800, incluindo bancos, fintechs e cooperativas — a situação levanta preocupações sobre a supervisão das operações financeiras no Brasil.

“Ao perceber que o cobertor orçamentário é curto, seremos forçados a priorizar quais riscos devem ser monitorados”, enfatizou Galípolo, ressaltando a necessidade de uma seleção cuidadosa na supervisionamento das diversas instituições financeiras.

O presidente do Banco Central também relembrou um apelo anterior feito ao Congresso sobre a urgência da aprovação da PEC 65/2023, que visa garantir autonomia financeira, orçamentária e administrativa à instituição. Essa proposta, que tramita há anos, é fundamental para permitir que o Banco Central contrate mais pessoal e invista em tecnologia, adequando-se assim à estrutura de bancos centrais de países desenvolvidos. A PEC deverá ser discutida em breve na Comissão de Constituição e Justiça do Senado.

Outro ponto crítico abordado por Galípolo foi a dificuldade em investir em tecnologia, especialmente em ferramentas de Inteligência Artificial (IA) que poderiam fortalecer a supervisão financeira. O presidente destacou que é inviável armazenar dados sensíveis do sistema financeiro em redes públicas ou internacionais, tornando a necessidade de inovação interna ainda mais premente. Ele também comparou a carga de trabalho dos reguladores brasileiros com a de outras nações, evidenciando que enquanto reguladores internacionais fiscalizam uma ou duas instituições por membro, no Brasil essa proporção chega a 20 ou 30.

Por fim, Galípolo comentou sobre o sistema de pagamentos instantâneos, o Pix, defendendo que ele não compete com os cartões de crédito, mas sim que ampliou a bancarização e, consequentemente, beneficiou o mercado de cartões. A adoção do Pix levou milhões de brasileiros a abrirem contas bancárias, permitindo-lhes accessar uma gama de produtos financeiros antes indisponíveis.

Essas questões tornam-se ainda mais relevantes em um contexto de crescente ataques cibernéticos, que, segundo Galípolo, têm impactado principalmente instituições menores e não a infraestrutura do Banco Central. A presidente concluiu que a vigilância constante e a introdução de sistemas de monitoramento são cruciais para mitigar esses riscos.

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