A questão da saúde mental também ganhou destaque em outro julgamento, realizado em Los Angeles, onde a Meta e o Google (YouTube) foram responsabilizados por criar plataformas que, segundo o júri, causaram danos emocionais a um jovem identificado como Kaley. O mecanismo de “rolagem infinita,” as constantes notificações e o sistema de recompensas, como as “curtidas,” foram citados como fatores que contribuíram para o desenvolvimento de transtornos psicológicos, incluindo depressão e Transtorno Dismórfico Corporal (TDC). As empresas foram condenadas a pagar US$ 6 milhões à vítima, um valor que, embora significativo, pode ser visto como apenas a ponta do iceberg em termos de responsabilidade legal.
Essas decisões podem ter repercussões globais, especialmente no contexto do recém-lançado ECA Digital (Lei 15.211/2025) no Brasil, que estabelece diretrizes específicas para a proteção de menores na internet. Especialistas apontam que há uma sinergia entre as iniciativas nos Estados Unidos e as regulamentações brasileiras, ambas voltadas para garantir um ambiente digital mais saudável. A lei brasileira, que já começou a ser implementada, deve incentivar as plataformas a agir de forma proativa na proteção dos usuários jovens.
Em um momento em que as redes sociais operam com base em algoritmos de design manipulativo, que visam maximizar o tempo de uso e, consequentemente, a adição, a responsabilidade das empresas de tecnologia está sendo reavaliada. Especialistas destacam a importância de uma abordagem mais consciente e equilibrada, que considere o bem-estar do usuário, em vez de apenas impulsionar lucros. Para muitos, a proteção das crianças e adolescentes deve ser um esforço coletivo — envolvendo não apenas as plataformas digitais, mas também pais e legislações adequadas.
Nesse cenário, a supervisão parental se torna ainda mais crucial. Especialistas enfatizam que os pais têm um papel ativo na orientação do uso das redes sociais pelos filhos, garantindo que acessem conteúdos adequados à sua faixa etária. Conforme a legislação evolui, a responsabilidade de proteger a integridade emocional das crianças deve ser um esforço conjunto entre governos, empresas e a própria família. As consequências desses julgamentos e a implementação do ECA Digital podem, assim, marcar uma nova era na forma como encaramos a internet e suas implicações na vida dos jovens usuários.





