Essa realidade revela um problema mais abrangente e complexo: muitos pacientes atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) continuam a adoecer, pois não compreendem como utilizar os medicamentos indicados. Com frequência, o agravamento de doenças se deve simplesmente à falta de compreensão das instruções, um reflexo direto da alfabetização e letramento insuficientes que afetam a saúde coletiva.
Frente a essa situação crítica, o médico tomou uma iniciativa inovadora e improvisada. Ele começou a desenhar símbolos em suas receitas como forma de orientar os pacientes em relação a horários e quantidades dos remédios, utilizando imagens simples como xícaras de café, luas e círculos. Embora essa abordagem tenha mostrado ser prática, ela demandava um considerável tempo e, em algumas ocasiões, causava desconforto aos pacientes.
A partir dessa vivência, o médico se uniu a um amigo, engenheiro de software, e juntos idealizaram a plataforma “Cuidado para Todos”. Este aplicativo utiliza ícones padronizados, visando facilitar a compreensão das prescrições médicas. A ferramenta já está em uso em diversas localidades, capacitando os profissionais de saúde a selecionar símbolos intuitivos para imprimir receitas mais acessíveis e também etiquetas para os medicamentos.
Com um alcance que se estende a diferentes municípios e até mesmo a distritos indígenas, a iniciativa busca promover um acesso à saúde mais inclusivo e eficiente. Enquanto isso, o Ministério da Saúde também está investindo em recursos como pictogramas, com o objetivo de apoiar o atendimento de pacientes com baixo nível de letramento. Essa abordagem procura unir esforços para garantir que todos tenham a possibilidade de entender e, consequentemente, seguir os cuidados destinados à sua saúde.






