Deputados Suspeitos de Ligação com Tráfico Tentam Interferir em Demolição de Resort Associado ao Crime no Rio de Janeiro

Na manhã desta quinta-feira, uma operação do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro (MPRJ) desdobrou-se em torno de dois parlamentares — o deputado estadual Roosevelt Barreto Barcelos, conhecido como Val Ceasa, e o ex-vereador Ulisses Marins. Ambos estão sob suspeita de envolvimento com o Terceiro Comando Puro (TCP), uma das facções de tráfico mais influentes da região.

A investigação começou com um banner de fundo azul que anunciava um projeto social destinado a atender crianças, adultos e idosos, ostentando os nomes de Val Ceasa e Ulisses Marins como realizadores da iniciativa. A faixa foi descoberta na entrada de um resort, que, segundo as apurações, estava relacionado a Álvaro Malaquias Santa Rosa, conhecido como o „Peixão“, uma figura proeminente no tráfico de drogas e chefe da facção.

Esse resort, um símbolo de ostentação na criminalidade, foi demolido pela polícia em março do ano passado. No entanto, informações revelam que a demolição poderia ter ocorrido muito antes, caso não houvesse uma suposta interferência política e vazamento de informações sigilosas. Investigadores apontam para tentativas anteriores de desmantelar o local, que se caracteriza por estar situado em uma área próxima a residências simples em Parada de Lucas, no Complexo de Israel, na Zona Norte da cidade.

Em uma reportagem publicada um tempo após a demolição, foi dito que Val Ceasa e Ulisses Marins estariam entre os parlamentares que alegaram a existência de um projeto social para justificar uma solicitação de paralisação da operação que visava a demolição do resort. Marins não comentou sobre a questão, enquanto Ceasa negou ter feito tal pedido, embora tenha se manifestado contra a demolição, argumentando que edificar ou manter escolas não deveria ser afetado pela presença de criminalidade no entorno.

Recentemente, em dezembro, novas diligências foram requeridas pelo MPRJ para investigar a real destinação do imóvel. Durante essa operação, uma faixa semelhante à encontrada anteriormente, com os nomes de Ceasa e Marins, foi localizada, reforçando a conexão entre os políticos e o imóvel atribuído à facção. Além disso, foi identificado um outro espaço denominado „Colônia de Férias do Projeto de Deus Kids“, que também não estava cadastrado junto à prefeitura, conforme verificação realizada pela Secretaria Municipal de Assistência Social.

Em meio a esses eventos, a deputada federal Dani Cunha, cujo nome também aparece nas faixas, se dissociou das alegações, negando qualquer associação com os outros envolvidos e afirmando que não há parcerias políticas entre eles. A trama em torno desses indivíduos ilustra a complexidade das relações entre política e crime organizado no cenário atual do Rio de Janeiro.

Sair da versão mobile