Deputados Paulista Destinam R$ 700 Mil a Empresas de Produtora de Filme Sobre Bolsonaro, Levando a Investigações pelo Uso de Recursos Públicos

Na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp), um tema controverso ganhou destaque: o repasse de R$ 700 mil de emendas parlamentares para empresas controladas por Karina Ferreira da Gama, sócia da produtora por trás do filme “Dark Horse”, que retrata a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro. As indicações para esses repasses foram feitas por deputados, predominantemente alinhados ao bolsonarismo, mas também por um membro do Partido dos Trabalhadores (PT), todos negando quaisquer irregularidades.

Conforme informações do Portal da Transparência, R$ 300 mil desse montante já foram efetivamente pagos. A revelação suscitou investigações, incluindo a atenção da Polícia Federal, que está apurando as origens e o destino desse financiamento. A situação se torna ainda mais tensa com os recentes áudios divulgados pelo site “Intercept Brasil”, onde o senador Flávio Bolsonaro é ouvido cobrando investimentos substanciais do dono de um banco.

Os recursos em questão foram destinados a duas entidades de Karina, o Instituto Conhecer Brasil e a Associação Nacional de Cultura, ambas localizadas na Avenida Paulista. Em 2023, a deputada Valéria Bolsonaro, ex-secretária de Políticas para a Mulher, autorizou um repasse de R$ 100 mil ao Instituto, visando a aquisição de equipamentos. Contudo, a assessoria da parlamentar não respondeu a solicitações de comentários sobre essa movimentação.

Enquanto isso, Lucas Bove e Gil Diniz, ambos do PL e próximos do núcleo bolsonarista, também direcionaram emendas a essas empresas. Bove indicou R$ 213 mil para um projeto esportivo, mas a execução falhou por questões burocráticas, levando ao redirecionamento do recurso. Diniz destinou R$ 200 mil para a produção da série “Heróis Nacionais”.

Por outro lado, num esforço positivo de engajamento cultural, o deputado petista Luiz Fernando Teixeira alocou R$ 190 mil para o mesmo Instituto, afirmando que o dinheiro seria utilizado exclusivamente para um projeto de aulas de teatro em São Bernardo do Campo. Teixeira destacou seu apoio contínuo à cultura desde que assumiu o cargo.

As emendas federais também estão sob análise. O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, requisitou informações sobre repasses destinados ao Instituto Conhecer Brasil, levantando preocupações sobre a transparência e o uso dos chamados “emendas Pix”. Além disso, parlamentares como Mário Frias, Alexandre Ramagem e outros enviaram consideráveis somas sob a alegação de financiar iniciativas culturais, mas a gestão desses recursos ainda não é totalmente clara.

Esse cenário levanta questões sobre a ética e a transparência legislativa, bem como os impactos de tais repasses em projetos culturais que se entrelaçam com agendas políticas específicas. As investigações em curso prometem trazer mais esclarecimentos sobre esse emaranhado de interesses e a integridade dos processos de financiamento cultural.

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