Segundo levantamento, os deputados federais já gastaram cerca de R$ 28 milhões em passagens aéreas debitadas da cota parlamentar, com destaque para viagens internacionais. Em abril, um grupo de bolsonaristas foi até o Parlamento Europeu, em Bruxelas, para denunciar o presidente Lula e o ministro do STF Alexandre de Moraes, em uma viagem que custou mais de R$ 100 mil aos cofres públicos.
Nomes importantes do bolsonarismo, como Ricardo Salles, têm utilizado essas regalias para viagens como ida e volta de São Paulo a Lisboa, na classe executiva da Latam, com um custo de R$ 22 mil. Além disso, Salles ainda gastou mais R$ 3,7 mil em outro trecho da viagem. Os deputados podem adquirir passagens por sistemas da Câmara ou optar pelo reembolso, usufruindo de até oito passagens em seus nomes para os estados onde possuem representação.
Questionada sobre os critérios para a utilização de passagens executivas ou de primeira classe, a Câmara dos Deputados não forneceu detalhes. A portaria que disciplina os gastos com a cota parlamentar não aborda esse assunto especificamente. No entanto, a classe executiva das companhias aéreas oferece uma série de regalias, como espaços amplos e seleções luxuosas de alimentos e amenities.
Deputados como Jonas Donizette e Vinicius Carvalho já desfrutaram desses benefícios em viagens para conferências e missões oficiais, com custos que chegam a valores expressivos. A justificativa dos parlamentares para o uso de passagens em classe executiva varia desde recomendações médicas até a necessidade de mobilidade em longas viagens.
Diante das revelações, os deputados têm respondido que estão dentro dos parâmetros permitidos pela Câmara dos Deputados e que adotam todos os procedimentos previstos. Resta agora a reflexão sobre o uso responsável dos recursos públicos e a transparência nas justificativas para viagens de alto custo financiadas pelos contribuintes.
