Deputados do GT decidem que estados devem definir “grande patrimônio” para taxação de doações e heranças em relatório da reforma tributária.

Os deputados que compõem o grupo de trabalho (GT) responsável pelo Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) chegaram a uma decisão importante durante suas reuniões. Ficou acordado que os estados terão a responsabilidade de definir o que é considerado “grande patrimônio” no caso de doações e heranças, estabelecendo que esses valores serão taxados com a alíquota máxima do Imposto sobre Transmissão Causa Mortis e Doação (ITCMD).

A definição do que é considerado “grande patrimônio” será fundamental para a aplicação das alíquotas, que atualmente tem um teto de 8%, estabelecido pelo Senado. No entanto, há estados que buscam aumentar essa alíquota, com propostas que variam entre 16% e 21%. O Projeto de Lei do Poder Executivo prevê que o ITCMD seja progressivo, ou seja, que taxe mais os valores mais altos.

Além disso, os parlamentares também discutiram sobre a tributação dos planos de previdência privada VGBL, propondo que depósitos com menos de cinco anos possam ser taxados com ITCMD no caso de heranças. Segundo o deputado Ivan Valente (Psol-SP), essa medida visa evitar planejamentos tributários que permitem a transferência de patrimônio sem o pagamento de impostos.

Outra mudança relevante foi a possibilidade dos municípios anteciparem a cobrança do Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis (ITBI) nos contratos de compra e venda, complementando a arrecadação no momento do registro. O objetivo é evitar práticas como os contratos de gaveta, que podem gerar irregularidades no setor imobiliário.

No que diz respeito ao Comitê Gestor do IBS, que será responsável pela administração e distribuição do novo imposto sobre o consumo de estados e municípios, o projeto prevê a participação de representantes dos contribuintes e uma cota mínima de 30% para mulheres nas instâncias técnicas. A atuação centralizada do comitê e a definição de um teto remuneratório para os servidores também foram discutidos durante as reuniões.

Após passar pelo grupo de trabalho, o texto precisará ser votado no Plenário da Câmara dos Deputados e posteriormente seguir para o Senado. A proposta visa trazer maior clareza e eficiência ao sistema tributário brasileiro, garantindo uma distribuição justa e equitativa dos recursos arrecadados.

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