Em suas redes sociais, Taiana expressou sua indignação, afirmando que “as declarações de Milei nos envergonham como argentinos”. Desta forma, ele apresentou um projeto de repúdio na Câmara dos Deputados da Argentina, destacando a gravidade das palavras proferidas por Milei durante sua visita ao Brasil para apoiar a candidatura de Flávio Bolsonaro. O projeto, que já conta com o respaldo de pelo menos 30 deputados, enfatiza um “enérgico repúdio às calúnias e injúrias violentas” que, segundo Taiana, podem prejudicar as relações diplomáticas entre Argentina e Brasil.
O documento ainda expressa preocupação em relação à interferência nos assuntos internos de outra nação soberana, ressaltando a importância dos princípios fundamentais do direito internacional, como a autodeterminação e a não intervenção. Taiana, que já ocupou cargos importantes na diplomacia argentina, criticou também a participação do atual Chanceler, Pablo Quirno, e do diplomata Luis María Kreckler em um evento de caráter político-partidário no Brasil, o que ele considera um risco para os laços históricos entre os dois países.
“A preocupação é ainda mais significativa considerando que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina”, destacou Taiana. Ele enfatizou que qualquer comportamento que degrade a relação bilateral pode comprometer interesses econômicos, políticos e estratégicos essenciais para a Argentina.
O episódio se intensificou após uma manifestação de repúdio oficial do Brasil, conduzida pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira. O embaixador argentino em Brasília, Daniel Raimondi, foi convocado para discussões, enquanto Vieira também ordenou que o embaixador do Brasil em Buenos Aires retornasse para consultas — um gesto que frequentemente sinaliza tensões nas relações diplomáticas.
A situação também motivou reações de membros do governo brasileiro, incluindo o titular da Fazenda, Dario Durigan, que se referiu a Milei de maneira depreciativa. O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou que nunca houve um precedente de um líder estrangeiro que dirigisse ofensas e agressões a um chefe de Estado e a instituições democráticas em território brasileiro.
Durante o evento em São Paulo, Milei ainda comentou sobre as dificuldades econômicas que seu país enfrenta, atribuindo as causas ao “socialismo” e criticando o Foro de São Paulo, que ele associa a Lula e Fidel Castro, descrevendo-o como um instrumento de disseminação do comunismo no continente.
A escalada dessa disputa revela não apenas desavenças pessoais, mas também tensões políticas entre dois países com uma longa história de diálogo e cooperação.





