No depoimento, Mauro Cid afirma que Bolsonaro e Aras eram próximos, destacando que o então PGR nunca agendava suas visitas no Palácio da Alvorada através dele, como era comum com outras autoridades. Cid relata: “[…] o contato, que normalmente as autoridades tentavam marcar comigo a agenda, mas o doutor Aras fazia direto com o presidente.” Shor questiona se o contato era direto entre os dois, e o ex-ajudante de ordens confirma, destacando que Aras apenas o avisava da visita.
Os encontros de Bolsonaro com autoridades, empresários, juízes e Aras, porém, nem sempre eram registrados na agenda oficial do presidente, o que era uma formalidade para dar transparência às suas atividades. Cid ressalta que ele não participava das conversas que ocorriam a portas fechadas, apenas acompanhava as visitas e depois conduzia os visitantes para fora.
Mensagens em posse da PF já haviam revelado as visitas fora da agenda do ex-procurador e outras autoridades a Bolsonaro. O delator também menciona encontros recorrentes de Bolsonaro com autoridades, como a ex-vice-procuradora-geral da República Lindôra Araújo.
Augusto Aras assumiu o cargo de Procurador-Geral da República em 2019, indicado por Bolsonaro, e foi reconduzido ao cargo em 2021 por mais dois anos. Durante seu mandato, Aras foi alvo de críticas por investigar as condutas do ex-presidente, principalmente no caso da pandemia de covid-19 e no inquérito das milícias digitais. Ele chegou a pedir o arquivamento da investigação que originou a denúncia sobre uma suposta trama golpista.
A PGR sob a gestão de Aras também foi contra o acordo de colaboração premiada de Mauro Cid, conforme reportagem da coluna especializada. Essas revelações trazem à tona a proximidade entre Bolsonaro e Aras, levantando questionamentos sobre a imparcialidade do ex-Procurador-Geral da República em relação ao ex-presidente.
