Depoimento da Empregada Doméstica Leva a Contradições e Dúvidas em Julgamento de Jairinho e Monique no Caso Henry Borel

O depoimento da empregada doméstica Leila Rosangela Mattos no julgamento de Jairo Souza Santos Júnior, conhecido como Jairinho, e Monique Medeiros gerou uma série de reviravoltas no tribunal. A audiência, realizada na quinta-feira, foi marcada por contradições e lapsos de memória da testemunha, que trabalhou na casa onde o menino Henry Borel morreu em março de 2021. De início, Leila solicitou que a audiência ocorresse sem a presença dos réus, um pedido que foi prontamente aceito pelo juiz.

O clima de tensão aumentou significativamente quando a acusação apresentou mensagens trocadas entre Leila e Monique após a morte da criança. A testemunha afirmou não ter retornado à residência após o trágico ocorrido, mas as comunicações mostravam um cenário diferente: Leila continuava em contato profissional até ser dispensada por Monique. Em uma das mensagens, datada de 21 de março — quase duas semanas após o falecimento de Henry — Monique informou a Leila que ela “não precisava mais ir trabalhar”. Para os promotores, essa informação contradizia a narrativa apresentada por Leila no tribunal.

Além disso, outra mensagem recentemente exibida evidenciou que Leila mencionou ter sido convocada para depor na delegacia. A troca de mensagens revelou uma atuação coordenada entre Monique e outras pessoas envolvidas, indicando que estavam cientes das investigações.

O depoimento de Leila ainda trouxe novos elementos à discussão sobre o estado emocional de Henry no dia em que faleceu. A testemunha inicialmente negou ter afirmado que a criança saiu “apavorada” após Jairinho ficar sozinho com ela. Contudo, sob pressão da acusação, Leila mudou sua postura e reconheceu que ouviu a babá questionando Henry sobre um possível problema para andar.

Durante o questionamento, Leila também revelou que trabalhou no apartamento onde Henry morreu por cerca de dois meses, embora já prestasse serviços à família de Jairinho há mais tempo. As informações que ela forneceu, no entanto, mostraram pouco contato com a babá e com Jairinho, levantando dúvidas sobre a proximidade que tinha com o ambiente em que a tragédia ocorreu.

Henry Borel faleceu aos 4 anos, e o laudo necroscópico revelou múltiplas lesões em seu corpo. Jairinho e Monique enfrentam acusações graves, incluindo homicídio triplamente qualificado, tortura, coação de testemunha e fraude processual, em um caso que continua a despertar a atenção e indignação do público.

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