Em depoimento à Corregedoria da PM, Gakyia, que integra o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), revelou que as suspeitas sobre a atuação de PMs com a facção foram identificadas em outubro de 2021. Ele relatou que, após tomar conhecimento de que integrantes do Setor de Inteligência da Rota estavam vazando informações para garantir a segurança de líderes do PCC, levou suas preocupações ao então comandante-geral da PM, José Augusto Coutinho. Contudo, segundo Gakyia, não houve registro de qualquer ação por parte do comando a respeito dos fatos denunciados.
A situação se agravou com informações sobre um plano do PCC para assassinar Gakyia e Moro, que, enquanto ministro da Justiça no governo anterior, poderia ser considerado um alvo relevante para a facção. Durante uma nova oitiva em fevereiro de 2023, Gakyia foi informado de que Nefo, um suposto responsável por tais ações, estava comandando esses planos de atentados.
Este relato levou à Operação Sequaz, realizada pela Polícia Federal, que resultou na prisão de Nefo, além de outras ações contra possíveis elos entre o PCC e atividades criminosas na cidade. Gakyia também mencionou que, dentro do presídio, soube que informações eram trocadas sobre pagamentos a policiais militares da Rota, e que essa ligação entre a facção e agentes da lei foi aprofundada em recentes investigações que desvendam um esquema de corrupção no qual PMs atuavam como seguranças para empresários relacionados ao PCC.
O ex-comandante José Augusto Coutinho, agora sob investigação, foi citado em um inquérito que levou à prisão de policiais e a operações em endereços associados a ilícitos, revelando um intrincado esquema que pode abalar ainda mais a confiança na integridade das forças de segurança. À medida que as investigações avançam, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo mantém silêncio, recusando-se a comentar os desdobramentos ou as diretrizes que poderão afetar o futuro da PM e do combate ao crime organizado no estado.
