O material em questão aponta não apenas o crescimento alarmante dos valores, mas também levanta preocupações quanto à transparência e à execução do dinheiro público. Dentre as falhas constatadas estão a escassez de informações nos portais oficiais, a ausência de documentos cruciais e uma descrição genérica dos empenhos, além de questionamentos sobre a capacidade da empresa contratada, AM da Silva Serviços & Locações Ltda. Esses fatores geram um ambiente de incerteza e desconfiança acerca da lisura do processo licitatório.
Outro ponto crítico da denúncia diz respeito à origem do contrato: a adesão a uma ata de registro de preços que já sofria investigações de órgãos de controle. Esse aspecto compromete não apenas a validade dos contratos dela derivados, mas também gera potencial risco jurídico e administrativo à gestão municipal. De acordo com a investigação, os dados foram enviados ao Ministério Público de Alagoas, ao Ministério Público Federal e à Polícia Federal, indicando a seriedade da questão.
A complexidade da situação é intensificada pela figura política central, Luiz Celso Malta Brandão Filho, conhecido como Tenorinho Malta. Ele era o prefeito de Inhapi durante a execução do contrato e, em um movimento recente, renunciou ao cargo para buscar uma cadeira na Assembleia Legislativa de Alagoas. O vice-prefeito, Gilson Tenório, agora ocupa o cargo principal. Após deixar a prefeitura, Tenorinho se integrou a uma nova aliança política liderada pelo prefeito de Maceió, JHC, que pretende reforçar a base de apoio no interior do estado.
Dessa maneira, a denúncia transcende o âmbito administrativo e se conecta com grandes questões políticas, reforçando a necessidade de uma deliberação pública mais apurada sobre o uso do dinheiro público e a prestação de contas em administrações municipais. A situação em Inhapi se torna uma vitrine na discussão sobre transparência e responsabilidade fiscal, especialmente com as eleições se aproximando, tornando-se um verdadeiro termômetro para a sociedade alagoana.






