Demência: Campanhas de conscientização falham em mudar comportamentos, revela estudo da Universidade Curtin; quase 45% dos casos podem ser evitados com mudanças de estilo de vida.

A demência é uma condição que afeta milhões de pessoas em todo o mundo, e estudos recentes revelam que quase 50% dos casos desta doença podem ser prevenidos através da mitigação de fatores de risco modificáveis. Entre esses fatores, destacam-se a inatividade física, o tabagismo, a baixa escolaridade e o isolamento social. Entretanto, uma nova pesquisa da Universidade Curtin lança luz sobre a ineficácia das abordagens tradicionais de saúde pública, que não têm conseguido engajar a população em mudanças significativas de comportamento.

Uma análise internacional publicada na revista The Lancet Healthy Longevity avaliou campanhas de prevenção da demência em oito países e constatou que, apesar de alcançarem grandes audiências, essas iniciativas muitas vezes resultam em apenas melhorias superficiais no conhecimento e em mudanças limitadas nos hábitos. A pesquisa sugere que é necessário adotar abordagens mais dinâmicas e personalizadas, que correspondam às necessidades específicas de cada comunidade, para efetivamente reduzir os índices de demência.

Mario Siervo, um dos autores do estudo, enfatiza que até 45% dos casos de demência estão associados a fatores que podem ser alterados por meio de mudanças no estilo de vida e na saúde ambiental. Ele destaca que, embora campanhas de conscientização sejam importantes, elas não geram, por si só, alterações comportamentais profundas e duradouras.

Outro estudo conduzido pelo mesmo grupo sugere que a força muscular e a composição corporal têm um papel crucial no risco de demência, reforçando a importância de estratégias de prevenção mais direcionadas. A pesquisa, que acompanhou cerca de 500.000 adultos ao longo de mais de dez anos, identificou que aqueles com baixa força muscular e excesso de gordura corporal, ou obesidade sarcopênica, tinham um risco significativamente maior de desenvolver demência.

Blossom Stephan, catedrática em Demência, acrescenta que ainda persiste o estigma de que a demência é uma consequência inevitável do envelhecimento, desconsiderando que mudanças no estilo de vida podem fazer uma diferença significativa. No entanto, barreiras como falta de tempo, custos e motivação podem desencorajar as pessoas a adotarem hábitos mais saudáveis.

Entre as soluções propostas, destacam-se programas educativos online que ofereçam orientações práticas de saúde cerebral, avaliações de risco personalizadas e iniciativas comunitárias lideradas por figuras locais confiáveis. Estas abordagens envolventes têm maior potencial para motivar as pessoas a realizarem mudanças duradouras em seus estilos de vida.

O estudo conclui que quando indivíduos compreendem seus riscos pessoais e recebem informações claras e aplicáveis para a ação, especialmente através de redes comunitárias reconhecidas, eles se tornam mais propensos a implementar mudanças significativas em suas vidas. Exemplos incluem sessões educativas conduzidas por líderes comunitários, programas culturalmente adaptados e atividades interativas que ajudam a estabelecer metas de saúde realistas, promovendo, assim, um futuro com menos casos de demência.

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