O contrato apontava que os recursos para o empreendimento teriam como origem o traficante Anselmo Santa Fausta, conhecido como Cara Preta, para quem o empresário confessou lavar dinheiro. De acordo com as investigações do MPSP, Cara Preta foi executado a tiros em 2021, e Gritzbach era acusado de ser o mandante do crime.
A relação entre Gritzbach e Cara Preta teria se deteriorado após o delator perder uma quantia milionária em bitcoins que pertenceria ao traficante. Além disso, Gritzbach era corretor imobiliário na região onde se concentravam a maior parte dos imóveis de Cara Preta, e admitiu a venda subfaturada e em dinheiro vivo destes apartamentos para lavar dinheiro do traficante e outros criminosos.
O contrato entregue pelo delator ao MPSP serviu para aditamento de denúncias contra aliados de Santa Fausta por lavagem de dinheiro. Há ainda um capítulo não esclarecido da delação de Gritzbach, envolvendo um investimento de valor superior aos R$ 30 milhões relacionados aos apartamentos vendidos de forma ilícita.
Além disso, o empresário havia firmado um contrato com uma fintech pertencente ao advogado Carlos Alexandre Ballotin, visando a capitalização da construção de novas fases do condomínio Terrara, na zona sul de São Paulo. O contrato previa a construção de anexos do condomínio, com transações que somavam até R$ 180 milhões.
A morte de Gritzbach, fuzilado com 10 tiros ao desembarcar no aeroporto de Guarulhos, ainda não teve seus responsáveis identificados. A polícia trabalha com a hipótese de envolvimento do Primeiro Comando da Capital (PCC) no crime, porém não exclui a participação de policiais. Até o momento, ninguém foi preso pelo assassinato do delator. As investigações continuam em andamento para esclarecer todos os detalhes desse caso complexo.
